Sobre bicicletas, satélites e o novo escudo espacial

Mais de 20 mil pessoas trabalham nas empresas da Progress

Mais de 20 mil pessoas trabalham nas empresas da Progress

Piotr Gridin/TASS
Após vários ramos, empresa centenária produz hoje componentes espaciais e militares.

Desde agosto de 2014 o país vem implantando um novo programa para a criação de um sistema integrado de satélites militares em órbita. Quando o sistema estiver em pleno funcionamento, a Rússia passará a ser um dos países com maior número de aparelhos lançados no espaço.

No dia 13 de março de 2016, um novo satélite cuja tarefa é monitorar detalhadamente a superfície da Terra foi lançado do Cosmódromo de Baikonur. O aparelho e o foguete-portador utilizado para colocá-lo em órbita foram desenvolvidos no Centro de Foguetes Espaciais Progress, uma das maiores empresas da indústria espacial militar russa.

De pequenas embarcações a satélites espiões

O Centro de Foguetes Espaciais Progress é uma enorme corporação, que inclui empresas situadas em diferentes regiões da Rússia. Além da fábrica principal e do escritório de design sediados na cidade de Samara, às margens do rio Volga, indústrias localizadas na região de Moscou, em Riazan e no Cazaquistão são administradas pela Progress. Juntas, essas empresas formam um complexo industrial diversificado onde trabalham mais de 20 mil pessoas.

Source: Sergei Savostyanov/TASSPortadores são carro-chefe de fábrica criada em 1894 Foto: Serguêi Savostianov/TASS

Os principais produtos são foguetes-portadores, mas também são fabricados aviões civis, pequenas embarcações e até equipamentos para serrarias. Os itens mais sigilosos da lista de produtos da empresa são os satélites, muitos deles utilizados para fins científicos e na esfera civil. Eles são produzidos e vendidos abertamente, mas tudo o que se relaciona aos dispositivos fabricados para fins militares está envolto em sigilo.

Foram engenheiros da Progress que projetaram e fabricaram os satélites que constituem a base do agrupamento orbital militar da Rússia, cujo destaque são os veículos espaciais da classe Persona. Só o fato de o projeto ter sido encomendado pela Direção Principal de Inteligência das Forças Armadas russas já demonstra a importância da missão realizada por esses satélites fabricados na cidade de Samara. 

O Persona, que opera a uma altitude de 750 km acima do nível do solo, substituiu os projetos anteriores dos engenheiros de Samara, os satélites Neman e Cobalto. A aplicação de novas tecnologias em seu desenvolvimento permitiu multiplicar o período de permanência em órbita, que agora atinge dez anos, tendo alcançado os satélites norte-americanos em termos de “longevidade”.

Persona Foto: Press PhotoPersona (foto) deu origem a modelos avançados como Bars-M Foto: Press Photo

A introdução de melhorias no processo tecnológico, desenvolvidas durante a criação do Persona, permitiu que os engenheiros de Samara criassem um dispositivo completamente novo, que no futuro aumentará significativamente as possibilidades de sucesso do agrupamento espacial russo. Pesando quatro toneladas, o satélite Bars-M, além de ser quase duas vezes mais leve que o Persona, também é capaz de fotografar objetos muito pequenos, com menos de 1 metro de diâmetro.  As demais características do Bars são mantidas em sigilo.

História

O escritório de design da fábrica de Samara já criou mais de 20 protótipos de satélites para uso na esfera militar, apesar de ter sido projetado para fabricar produtos completamente diferentes. Sua história começou em 1894, com a criação de uma nova fábrica de bicicletas em Moscou, que gradualmente passou a produzir motocicletas, trenós e automóveis. Somente pouco antes da Primeira Guerra Mundial o escritório começou a se ocupar da fabricação de aeronaves. 

Nacionalizada depois de 1917, a empresa recebeu o nome de Fábrica Estatal de Aviação nº1, e entre 1920 e 1960 os principais produtos da empresa foram os aviões. Em 1941, seu maquinário foi evacuado da capital para as margens do rio Volga. Com isso teve início o funcionamento da fábrica de Samara.

A localização no interior do país possuía uma série de vantagens estratégicas. Em primeiro lugar estava a segurança. Em grande parte, foi por essa razão que em 1958 a empresa de Samara, foi escolhida para se tornar um dos centros de implementação do programa espacial soviético. Isso exigiu uma completa reestruturação da fábrica, com a criação de grandes oficinas e áreas de teste.

Assembling Soyuz-2 launch vehicles at the Progress State Research and Production Space Center. Source: Nikolay Hiznyak/RIA NovostiMontagem do lançador Soyuz-2 na sede em Samara Foto: Nikolai Hizniak/RIA Nôvosti

Sua equipe participou de todos os programas nacionais de exploração espacial. Alguns estágios do veículo de lançamento que ajudou a levar ao espaço o primeiro cosmonauta, Yuri Gagarin, foram projetados em Samara, assim como os 27 tipos de satélites civis e militares soviéticos. 

Após a desagregação da União Soviética, a empresa passou por uma fase de conversão, durante a qual incorporou a fabricação de uma linha de produtos civis. Mas nos últimos 15 anos as atividades espaciais e militares assumiram novamente o primeiro plano. 

Atualmente, a Progress está enfrentando sérias dificuldades devido à imposição das sanções ocidentais à Rússia, que gerou uma escassez de componentes importados para os satélites, mas o programa federal de substituição de importações está tentando contornar esta situação para que a fábrica possa funcionar plenamente. 

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