Rússia vai legalizar Bitcoins e outras moedas digitais em 2018

Bitcoin – uma alternativa digital às moedas tradicionais, que hoje não é regulamentada por nenhum país ou banco no mundo.

Bitcoin – uma alternativa digital às moedas tradicionais, que hoje não é regulamentada por nenhum país ou banco no mundo.

Reuters
A medida pode atrair novos negócios ao país e aumentar a demanda pelo rublo. Mas especialistas defendem regras flexíveis para o setor.

Em 2018 a Rússia deve legalizar os bitcoins e demais moedas virtuais como parte de um esforço para combater transações financeiras ilegais, disse o vice-ministro das Finanças, Aleksêi Moisseev, em entrevista à Bloomberg, em 10 de abril. Dois dias depois o jornal Vedomosti, citando um representante do Banco Central, revelou que o órgao regulador e dois ministérios especializados trabalham em uma posição conjunta sobre as moedas digitais e, depois, vão determinar as ações para o setor.

Bitcoin – uma alternativa digital às moedas tradicionais, que hoje não é regulamentada por nenhum país ou banco no mundo. Ela não é emitida por um único centro, mas armazena toda a informação sobre o emissor e sobre o receptor. Moedas eletrônicas especiais, chamadas de tokens, são usadas para todas as operações financeiras e não-financeiras com Bitcoins.

Leonid Delitsin, analista na holding FINAM, acredita que a emergente indústria da tecnologia blockchain pode se beneficiar com a legalização das moedas digitais. Mas ele acredita que “os pequenos empresários do setor são os mais interessados. Geralmente são startups pequenas, produzindo moedas digitais de forma autônoma, desenvolvendo pagamentos especializados para acelerar os algorítmos que são a base do processo.”

Se a Rússia conseguir desenvolver e aplicar uma legislação real e funcional para os Bitcoins, isso ajudará a criar sistemas locais de criação de moedas virtuais, estimulando a economia, acredita Marina Gurieva, Chefe do Departamento de Atividade de Inovação na Escola Superior de Economia da Universidade Nacional de Pesquisas, em Moscou.

“As pessoas vão gastar seus tokens na Rússia e transformá-los em rublos. Isso vai aumentar a demanda local por rublos. Vai aumentar a atividade econômica e servir de estímulo para o desenvolvimento de vários setores da economia”, diz Gurieva. Mas ela também defende que as autoridades russas sejam flexíveis na criação das regras para o setor, uma vez que os tokens também são usados para atividades não-financeiras.

A Bolsa de Moscou também trabalha em um projeto para criar sistemas em que estes tokens sejam usados em votações de debenturistas. A revelação foi feita por Aleksandr Iákovlev, do Depositório Nacional de Títulos, ligado à Bolsa de Moscou, durante a conferência Blockchain&Bitcoin, em Moscou, no dia 19 de abril. 

A demanda por bitcoins na Rússia já é bem alta, diz Roman Potiômkin da companhia Advapay, que pretende – em breve – emitir cartões de débito para moedas virtuais dentro do sistema de pagamentos da Visa.

Como as moedas virtuais são usadas no mundo hoje

“Os países que legalizarem os bitcoins – e a Rússia pode estar entre eles – vão se colocar em uma posição forte, uma vez que receberão novos negócios”, afirmou Alejandro de la Torre, gerente de desenvolvimento de negócios da BTC.com,  durante a conferência Blockchain&BitCoin.

Lojas que aceitam moedas virtuais já operam no Japão e em Cingapura. De La Torre diz que a experiência na legalização de moedas virtuais está sendo estudada na Coreia do Sul. Ele também diz que pessoas na Venezuela e na Nigéria estão comprando bitcoins pela internet e bancos, como forma de enfrentar a inflação nas economias locais.  

O governo da Suíça também concluiu, com sucesso, a regulamentação dos sistemas blockchain. “Recentemente a Suíça adotou leis sobre o lançamento de um ICO (equivalente ao IPO das empresas tradicionais, que permite às empresas que negociem suas ‘ações’ em bolsas virtuais). Agora todas as empresas lançando seus ICOs estão fazendo isso na Suíça”, diz Gurieva.

Quer receber as principais notícias sobre a Rússia em seu e-mail? Clique aqui para assinar nossa newsletter.

Autorizamos a reprodução de todos os nossos textos sob a condição de que se publique juntamente o link ativo para o original do Russia Beyond.