Rússia se mantém no 131º lugar em ranking contra a corrupção

Prédio do Comitê de Investigação da Rússia, onde o ex-ministro do Desenvolvimento Ecônomico Aleksêi Uliukaiev foi interrogado por recebimento de suborno

Prédio do Comitê de Investigação da Rússia, onde o ex-ministro do Desenvolvimento Ecônomico Aleksêi Uliukaiev foi interrogado por recebimento de suborno

Anton Novoderejkin/TASS
Índice que mede a percepção da corrupção global é feito pela organização Transparência Internacional e inclui 176 países. Empresários e políticos russos citados nos Panama Papers contribuíram para que país não melhorasse de posição no ranking.

A organização Transparência Internacional apresentou o seu ranking anual de corrupção, o Índice da Percepção da Corrupção Global 2016, que inclui 176 países. O primeiro lugar é ocupado pela Dinamarca e Nova Zelândia, o segundo pela Finlândia e o terceiro pela Suécia. Os países com o nível de corrupção mais alto, e que aparecem no final da lista, são Coreia do Norte, Sudão do Sul e Somália.

Embora a Rússia tenha cumprido praticamente todas as recomendações do Grupo dos Estados contra a Corrupção (GRECO, na sigla em inglês), o país se manteve na 131º posição.

Segundo os autores do ranking, o principal fator externo que influenciou o lugar da Rússia no índice são os documentos do Panama Papers. A investigação do ICIJ (Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos) revelou empresas offshores ligadas a empresários e políticos russos, incluindo pessoas próximas ao presidente Vladímir Pútin.

Pútin qualificou as revelações do ICIJ como um “produto de informação” e disse ter orgulho da amizade com o músico Serguêi Roldúguin, citado nos documentos como suposta peça-chave de uma rede de empresas offshore do governo.

Além disso, de acordo com a Transparência Internacional russos geralmente não colocam os escândalos políticos no contexto de combate à corrupção. Foi o caso da detenção do ministro do Desenvolvimento Econômico, Aleksêi Uliukaiev, em novembro de 2016. Na ocasião, cientistas políticos apontaram inconsistências no caso e levantaram a possibilidade da ação ter tido como objetivo enfraquecer os setores mais liberais do governo.  “Essas detenções não parecem uma luta contra a corrupção, elas apenas agravam o problema", disse a vice-presidente da entidade Elena Panfílova ao jornal Kommersant.

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