Governo quer duplicar PIB em 18 anos

Kúdrin: "Economia russa está crescendo mais lentamente do que no período de estagnação soviética"

Kúdrin: "Economia russa está crescendo mais lentamente do que no período de estagnação soviética"

Komsomolskaya Pravda/Global Look Press
Para duplicar o indicador até 2035, o crescimento da economia russa deverá ser maior do que a média mundial. Segundo especialistas, o pior da crise, promovida principalmente pela queda de preços no mercado mundial de matérias-primas e os obstáculos impostos pelas sanções, passou. Agora é hora de diversificação e inovação.

Rússia pode duplicar o PIB (Produto Interno Bruto) até 2035, disse o ex-ministro das Finanças da Rússia Aleksêi Kúdrin, autor do novo programa econômico apresentado para o presidente e o chefe do Centro da Investigação Estratégica (CIE) na última quinta (12). Para fazer isso, será preciso realizar profundas reformas da estrutura econômica, disse o ex-ministro.

"Hoje, a economia russa está crescendo mais lentamente do que no período de estagnação soviética", declarou Kúdrin durante o Fórum Econômico Gaidar realizado em Moscou na semana passada. A crise e a desvalorização do rublo em 2014 levaram à queda do PIB em 3%, em 2015, e em 0,5% em 2016, segundo os dados publicados pelo Ministério das Finanças.

De acordo com os co-autores do relatório recente do CIE, Pável Trúnin e Evsei Gurvitch, também apresentado no Fórum, no médio prazo, o PIB russo poderá crescer entre de 2% e 2,5% ao ano, com uma estimativa de aceleração que levará a um crescimento anual durante o quinquênio de 2025-2030 de 4% a 4,5%.

A previsão da agência Moody’s concorda com a estimativa positiva das organizações russas. Para os especialistas ali, após os dois anos de recessão, a economia do país mostrará o crescimento positivo de 1% já em 2017.

“Nosso objetivo agora não é voltar a crescer após a crise, mas não escorregar mais para a estagnação", disse Ksênia Iudaeva, primeira vice-presidente do Banco Central da Rússia. “A economia russa tem de mudar sua especialização e produzir algo que não exista nos outros países e tornar-se mais flexível para enfrentar os desafios do mercado global", disse Iudaeva.

A queda do PIB é o resultado da dinâmica negativa dos preços de matérias-primas, diz o especialista em macroeconomia da corretora Otkrítie Broker, Serguêi Khestanov. "No entanto, essa dinâmica negativa deve intensificar o desenvolvimento de medidas alternativas para acelerar o crescimento econômico.” 

Segundo ele, as reformas estruturais propostas por Kúdrin incluem a diversificação da economia, a eliminação das barreiras administrativas e o melhoramento da proteção dos direitos de propriedade (privada e intelectual). "Esses motores levarão a um crescimento lento, mas estável", afirma.

Será possível duplicar o PIB se o Banco Central mantiver as políticas fiscal e monetária atuais, diz o analista da empresa financeira Finam, Timur Nigmatúllin. "A economia russa enfrentou o principal problema antes das sanções e da queda dos preços do petróleo: a "armadilha da renda média.”

O economista da Escola Superior da Economia da Rússia, Leonid Grigoriev, que era responsável pelos assuntos energéticos na equipe de Kúdrin, concorda com Nigmatúllin. ”Além da Rússia, o Brasil e a África do Sul também caíram na mesma ‘armadilha’”, diz. 

"O crescimento econômico rápido é velozmente substituído por uma estagnação quando os salários da classe média atingiram o seu máximo. Altos salários causam um aumento do custo de produção, e o país torna-se menos competitivo no mercado mundial. Ao mesmo tempo, o aumento dos salários eleva a inflação”, explica Grigoriev.

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