Rússia deve investir em educação e saúde, avalia Banco Mundial

Estudantes de bioquímica na Academia Médica de Omsk, na Sibéria

Estudantes de bioquímica na Academia Médica de Omsk, na Sibéria

Aleksêi Malgakov/RIA Nôvosti
Relatório apresentado em Moscou na última quinta (12) analisa restrições ao próximo ciclo de crescimento do país; sem poder contar com a elevação automática do preço mundial das matérias-primas, Rússia deve investir em produtividade e qualidade de vida de seu capital humano para participar como líder da era das inovações.

Na última quinta-feira (12), durante o Fórum Econômico Gaidar, realizado em Moscou, economistas do Banco Mundial apresentaram o novo relatório sobre o desenvolvimento econômico da Rússia.

Pela primeira vez, a avaliação foi dedicada não ao problema da dependência de sua economia na exploração das matérias-primas, mas ao estudo de seu capital humano.

Segundo os economistas responsáveis pelo trabalho, o governo russo precisa resolver o problema da falta de habilidades úteis da população, da desigualdade socioeconômica e da alta taxa de mortalidade de adultos em idade economicamente ativa.

Além de desafios sociais e demográficos, o relatório do Banco Mundial identifica três fatores básicos positivos que devem contribuir para o crescimento econômico da Rússia: sustentabilidade fiscal, administração pública de alta qualidade e gestão ambiental racional.

Segundo a líder do relatório e economista chefe adjunta do Banco Mundial, Ana Revenga, um dos maiores paradoxos da economia russa é o fato de que, apesar da alta proporção de russos com nível de educação superior, o desenvolvimento de inovações na economia é lento, e o país está enfrentado o problema da baixa produtividade. Os russos com educação superior não possuem as habilidades técnicas e cognitivas necessárias para trabalhar nas condições atuais da economia moderna e em empresas inovadoras, afirma o relatório.

Além disso, de acordo com o estudo, a Rússia tem de resolver o problema do elevado número das pessoas que sofrem das doenças cardiovasculares, da baixa qualidade do tratamento ambulatorial e da elevada taxa de mortalidade na faixa etária ainda economicamente ativa. "A expectativa de vida masculina russa é menor do que a da China e do que a atual em todas as grandes economias do mundo", diz o também co-autor do relatório e vice-presidente do departamento regional da Europa e da Ásia Central do Banco Mundial, Cyril Muller.

Hoje, a Rússia gasta 2,5% do PIB (produto interno bruto) em políticas de seguridade social; no entanto, para o Banco Mundial, esses gastos são ineficientes. Segundo o relatório, o governo tem de aumentar a taxas de produtividade e investir em educação continuada da população, para que os adultos possam ganhar novas habilidades ao longo das suas vidas e adaptar-se às mudanças do presente.

"Obviamente, [a Rússia] tem um problema comum, é o risco de estagnação de longo prazo, é impossível retornar ao crescimento normal apenas devido à política monetária e fiscal ", declarou o primeiro-ministro Dmítri Medvedev sobre o resultado do relatório. “Assim, todas as áreas prioritárias do governo devem estar relacionadas com o desenvolvimento do capital humano por meio de mais educação, saúde, melhor ambiente para o desenvolvimento de novos negócios e melhor infraestrutura”, completou.

Segundo o especialista em macroeconomia da corretora Otkritie Broker, Serguêi Khestanov, o Banco Mundial concentrou sua análise capital humano devido à previsão sobre o fim do ciclo de crescimento mundial dos preços das matérias-primas.

"O petróleo parou de ser o motor de crescimento da economia russa, e nessas novas condições a qualidade da população se torna muito mais importante", disse Khestanov. “O exemplo dos países da Europa Oriental (República Tcheca, Polônia e países bálticos) mostra que o capital humano pode ser a nova alavanca.”

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