Empresário fatura com máquinas de venda automática de comida espacial

Maior variedade e preço menor podem alçar produto ao mercado global

Maior variedade e preço menor podem alçar produto ao mercado global

Dmítri Bubonets
Com 12 sabores diferentes, tubos já são vendidos em museus espaciais russos e exposições temáticas. Faturamento cresceu seis vezes em apenas um ano.

Os cosmonautas pararam de comer alimentos em tubos há muito tempo – mas nem todo muito sabe disso. A nostalgia pelas conquistas da União Soviética no espaço ajudaram Andrêi Vedernikov a comercializar um tubo incomum que mais lembra pasta de dentes, mas, na verdade, contêm purê, sopas, pratos principais e sobremesa.

O sucesso é sobretudo traduzido em vendas. De acordo com a consultoria de negócios Spark, o Laboratório de Alimentos Espaciais fechou 2015 com uma receita de quase 5,5 milhões de rublos e lucro líquido de 1,3 milhões de rublos. Já em 2016, segundo Vedernikov, o volume de negócios aumentou em seis vezes.

Com os pés no chão

Antes de ter a ideia de vender comida espacial, em 2011, Andrêi Vedernikov era dono de restaurante. A fase transitória arrastou-se por quatro anos, nos quais o empresário tentou fazer acordos com o Instituto de Pesquisa Científica para a Indústria de Concentrados Alimentares e Tecnologia Especial de Alimentos, o principal desenvolvedor de comida espacial, e a Fábrica Experimental Biryulevsky, que produz e fornece alimentos para cosmonautas.

Como a fórmula original e o equipamento de produção são protegidos pelo Estado, o presidente Vladímir Pútin ajudou a persuadir as estruturas federais a cooperar – e já havia feito diversos apelos públicos para promover as realizações do país no espaço.

Vedernikov, que, segundo o próprio, não foi o primeiro empresário a tentar acordos com fornecedores para cosmonautas, “embora seja o mais insistente”, registrou então as marcas Laboratório de Comida Espacial e Space Food (Comida Espacial).

Para o empresário, era importante, porém, não só reproduzir a embalagem mas também o sabor autêntico do alimento espacial. A única diferença, garante ele, é que o produto vendido tem 115 gramas, 45 gramas a menos do que a versão comercial.

A explicação para isso está no preço de varejo do tubo. Pelos cálculos de Vedernikov, cada tubo deveria custar menos de 300 rublos, valor abaixo do gasto com a produção atual de tubos destinados a cosmonautas.

Na versão comercial, o produto está disponível em 12 sabores, incluindo a favorita borsch (tradicional sopa de beterraba; veja receita). Segundo Vedernikov, as matérias-primas são provenientes de agricultores russos.

De ideia inicial a fabricação, projeto de Vedernikov levou 4 anos Fotos: Dmítri BubonetsDe ideia inicial a fabricação, projeto de Vedernikov levou 4 anos Fotos: Dmítri Bubonets

Demanda estratosférica

Os produtos da marca Space Food foram lançados no mercado russo em fevereiro do ano passado. A primeira máquina de venda automática com os tubinhos foi instalada no Pavilhão Espacial do centro de exposições VDNKh, em Moscou.

Embora a expectativa fosse atrair público jovem que já costuma usar máquinas de venda automática, com o tempo, Vedernikov percebeu que o produto tinha apelo ainda maior com as gerações mais antigas.

Até meados de 2015, o empresário já havia instalado pontos no Planetário de Moscou, e em vários museus espaciais e exposições temáticas. São 30 máquinas atualmente, que podem ser encontradas em museus em São Petersburgo, Kirov, Iekaterinburgo, Guelendjik, Samara, Sôtchi e entre outras cidades.

“Se a variedade de sabores aumentar e, em termos de preço, se assemelhar ao fast food tradicional, a empresa poderá se desenvolver e entrar no mercado em massa”, observa Serguêi Chavjunov, diretor-executivo de J'son & Partners Consulting.

O que impede o crescimento da venda de alimentos espaciais agora não é a falta de demanda, mas o potencial da fábrica Biryulevsky.

Segundo o empresário, devido ao volume reduzido, os principais clientes continuam sendo cosmonautas. A empresa recebe ainda pedidos de amostras de Canadá, Reino Unido, Japão e outros países.

São 30 máquinas com comida espacial espalhadas pelo país Foto: Dmítri BubonetsSão 30 máquinas com comida espacial espalhadas pelo país Foto: Dmítri Bubonets

Não é souvenir, é fast food

Meio ano depois de instalar a primeira máquina de venda automática, Vedernikov encontrou seu primeiro concorrente. Em julho de 2015, o empresário Aleksandr Poklad registrou sua empresa, chamada Kosmicheskoye pitaniye.

Poklad e seus sócios compraram instalações de produção em Orel, e o Instituto Vniitek, que trabalhava com alimentos espaciais no passado, começou a desenvolver as fórmulas da Kosmopit.

O menu é um pouco diferente do oferecido pela Space Food – por exemplo, oferece sopa de cogumelos. Mas é o modo de venda das empresas é completamente distinto.

Poklad decidiu não se envolver com museus temáticos e hoje vende os tubos por meio de lojas na internet e nos postos de gasolina Trassa.

No início, os tubos da Poklad custam de 10 a 40% menos do que os da Space Food e vinham com 45 gramas a mais, porém, os preços se igualaram. Com 40 revendedores da Kosmopit em várias regiões russas, o empresário não divulga sua renda, mas admite que a empresa ainda não recuperou o investimento.

Poklad acredita que a comida em tubos não é apenas uma souvenir, mas também a possibilidade de fazer um lanche rápido. Por isso também escolheu vender o produto em postos de gasolina.

Para Aleksêi Belov, um dos vendedores de Kosmopit, a marca oferece “soluções nostálgicas dos tempos em que o homem estava começando a conquistar o espaço”.

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