Gazprom contornará Ucrânia para abastecimento europeu

Ucrânia deve perder US$ 250 milhões anuais com manobra.

Ucrânia deve perder US$ 250 milhões anuais com manobra.

DPA/Vostock-Photo
Comissão Europeia autorizou Gazprom a usar gasoduto Opal, que liga Nord Stream a República Tcheca e Alemanha. País evita, assim, passagem pela Ucrânia e reduz custos de transporte.

 

A Comissão Europeia decidiu retirar 50% da capacidade do gasoduto Opal das normas do Terceiro Pacote Energético, que limita o controle de empresas energéticas sobre as redes de distribuição.

Assim, a gigante estatal russa do gás Gazprom terá acesso ao gasoduto europeu, ligando o russo Nord Stream à República Tcheca e à Alemanha pela primeira vez desde seu lançamento, em 2011.

De acordo com o The Wall Street Journa, a Gazprom tem agora direito exclusivo de utilizar 50% da capacidade do Opal. De 30% a 40% da capacidade restante serão colocados em leilão, de que a petrolífera russa também poderá participar.

A Gazprom também é a única pretendente ao Opal, e a transferência de controle é "velada por leilão", segundo o especialista do Fundo Nacional de Segurança Energética, Ígor Iuchkov.

Mas a decisão da Comissão Europeia não resolve o problema do uso da capacidade total do Nord Stream, de acordo com o analista da corretora Finam, Aleksêi Kalatchev.

"A capacidade do Opal é de 36 bilhões de metros cúbicos de gás por ano, enquanto a capacidade do Nord Stream é de 55 bilhões. Além disso, a Rússia finalizará em breve a construção do Nord Stream-2, com a mesma capacidade”, explica.

Os fornecimentos através do Opal levarão a Gazprom a uma economia de quase 400 milhões de dólares, de acordo com Iuchkov.

 “Segundo o contrato com a empresa Nord Stream AG, a Gazprom tem que pagar por toda a capacidade do gasoduto, independentemente do volume de gás fornecido. Após o aumento do carregamento do Opal, a taxa permanecerá a mesma, mas o preço por metro cúbico fornecido cairá”, diz.

Para ele, a abertura realizada pela Comissão Europeia, torna o uso do gasoduto Nord Stream uma opção mais atraente para a Gazprom do que o trânsito de gás pela Ucrânia.

Segundo ele, a Ucrânia vai perder, dessa maneira, quase US$ 250 milhões por ano.

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