Rússia congelará volume de produção de petróleo

Efeitos do congelamento poderão ser nivelados por aumento de produção em outros países.

Efeitos do congelamento poderão ser nivelados por aumento de produção em outros países.

Getty Images
País se mostra disposto a apoiar decisão da OPEP de congelar volumes de produção do petróleo. Economistas afirmam, porém, que medida não ajudará jogar os preços para cima devido ao aumento da extração de óleo de xisto pelos EUA.

Ministros dos países da OPEP chegaram a um acordo sobre o limite de produção de petróleo durante uma reunião informal em Argel, capital da Argélia, na última quarta-feira (28). Pela primeira vez desde 2008, a organização definiu um limite de produção para o produto: 32,5 milhões de barris por dia, ou seja, um milhão de barris a menos do produzido em agosto. 

O ministro da Energia da Rússia, Aleksandr Novak, declarou que Moscou está disposto a apoiar a iniciativa dos membros da OPEP e outros países produtores. "Sempre fomos muito flexíveis", declarou Novak.

Segundo ele, os limites sobre a produção impostos pelos países produtores de petróleo valerão por cerca de seis meses.

Um acordo final sobre o congelamento será assinado pelos membros da OPEP durante a reunião oficial da organização, em 30 de novembro. 

A Rússia sempre apoiou o congelamento da produção de petróleo. Em 5 de setembro, durante a Cúpula do G-20 na China, o país já havia assinado com a Arábia Saudita um memorando para buscar manter a estabilidade do mercado de petróleo e garantir um nível sustentável de investimentos.

O documento foi assinado pelo ministro da Energia da Rússia, Aleksandr Novak, e seu homólogo saudita, Khalid Al-Falih.

Logo após a decisão, os preços do petróleo tipo Brent subiram em 6%, o que provocou o fortalecimento das moedas nacionais dos países produtores de petróleo, principalmente do rublo.

“Assim, em 29 de setembro, os mercados cresceram de forma constante: o indicador japonês Nikkei aumentou 1,4%, o chinês Shanghai Composite - 0,33%, o MICEX russo - 1,2%, enquanto as ações da empresas petrolíferas listadas em Wall Street cresceram 4%”, diz o diretor do banco Ultima, Vitáli Bagamanov. 

“No entanto, não vamos nos empolgar com essa decisão, já que o aumento dos preços do petróleo deve durar por um curto período”, diz o analista do Sberbank, Valéri Nêsterov.

Na opinião de Nêsterov, Brasil, Canadá, Noruega, EUA e México não apoiarão a decisão da OPEP. 

Além disso, os efeitos do congelamento poderão ser nivelados pelo aumento da produção em outros países.

“Diversos produtores de petróleo que não são membros da OPEP continuam estabelecendo novos recordes nos volumes de produção. Em 2017, o Cazaquistão pretende começar a explorar a maior jazida do mundo, a Kashaghan”, diz o gerente de ativos da consultoria financeira Leon Family Office, Artiom Kalínin.

De acordo com Nêsterov, porém, a decisão da OPEP causará oscilações no mercado de petróleo que devem prevalecer por vários anos.

“O mercado não é capaz de manter os altos preços do petróleo. Assim, os produtores de petróleo de xisto norte-americanos têm um papel decisivo, já que conseguiram reduzir o custo médio do produto de 25% a 50%. Como resultado, preços superiores a US$ 50 por barril levarão a um aumento da produção do petróleo de xisto nos EUA e à consequente queda dos preços”, explica Nêsterov.

“Não devemos esperar mudanças radicais no mercado de petróleo ou uma redução substancial da produção. A demanda por petróleo está crescendo de forma estável e estimula os produtores a aumentar os volumes de produção”, completa Kalínin.

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