Dez fatores que definem a crise econômica na Rússia

Ex-presidente, Medvedev assumiu cargo de primeiro-ministro em 2012

Ex-presidente, Medvedev assumiu cargo de primeiro-ministro em 2012

Reuters
Em artigo, premiê russo Dmítri Medvedev expõe causas e soluções para atual conjuntura.

Queda dos preços do petróleo, sanções dos EUA e da UE acerca da questão ucraniana, e problemas estruturais da economia russa. Tudo isso resultou em uma grave crise econômica que se arrasta há dois anos.

Em artigo ao jornal “Rossiyskaya Gazeta”, publicado na semana passada, o primeiro-ministro russo Dmítri Medvedev destacou a importância de rever o sistema econômico do país, e alertou para as principais causas, repercussões e possíveis soluções diante do atual cenário.

Confira 10 pontos de destaque apresentados no artigo de Medvedev:

1. Problemas econômicos da Rússia decorrentes de questões globais

A crise global deflagrada em 2008 resultou em crescente instabilidade nos mercados mundiais. Embora o mercado financeiro global seja capaz de transferir grandes quantias de dinheiro quase que instantaneamente, ele ainda carece de um sistema global de regulação adequado. Fatores políticos estão desempenhando um papel cada vez maior na política econômica, às vezes ao ponto de substituir a concorrência de mercado. Sanções são apenas uma ilustração gráfica dessa tendência.

2. Economia russa afetada não só pelos preços do petróleo e sanções, mas também por problemas estruturais

Em 2015, os preços do petróleo caíram pela metade em uma questão de seis meses – um evento sem precedentes na história econômica moderna.

No entanto, a crise russa está profundamente enraizada nos problemas estruturais da economia nacional, em especial o esgotamento do modelo de crescimento econômico da década de 2000.

Uma redução substancial nas taxas de crescimento começou bem antes de os preços do petróleo despencaram e da imposição de sanções.

3. Rússia manteve economia de mercado, apesar de ameaças externas

No final de 2014, previa-se um grande desastre na Rússia. E o desastre poderia ter se concretizado caso o governo tivesse decidido fixar a taxa de câmbio, aumentar os gastos do orçamento, congelar os preços e etc. Em vez disso, as autoridades do país trabalharam para amortecer os impactos da crise e afastar os temores das previsões.

4. Dependência em relação ao petróleo está diminuindo

A participação de receitas não oriundas da exploração petrolífera e de gás equivale a quase 60%. A decisão de adotar metas de inflação permitiu à Rússia preservar suas reservas em moeda estrangeira e ouro, além de garantir a estabilidade de seu sistema monetário. A inflação está cada vez menor e não excederá os 6% este ano.

5. Sistema bancário permaneceu estável, apesar da crise

O Banco Central da Rússia fechou 48 instituições financeiras nos primeiros seis meses de 2016, e outras 93 em 2015. Vale ressaltar que tais medidas não geraram corrida aos bancos. Em 2015, os depósitos bancários em contas físicas subiram 25%; já nas jurídicas, cresceram 20%.

6. Fuga de capital em queda

Em 2015, a fuga de capital da Rússia diminuiu em mais de 2,5 vezes, para US$ 58,1 bilhões, em comparação a US$ 153 bilhões em 2014.

Nos primeiros seis meses de 2016, a fuga de capital totalizou US$ 10,5 bilhões, contra US$ 51,5 bilhões no mesmo período de 2015.

Além disso, a dívida externa da Rússia diminuiu de seu auge de US$ 733 bilhões, em meados de 2014, para US$ 516 bilhões este ano.

7. Há sinais de crescimento industrial

A desvalorização do rublo gerou crescimento industrial no interior do país. Em 2015, a indústria de alimentos cresceu 2%, a produção química, 6,3%, e a produção petroquímica, 0,3%. Já a fabricação de medicamentos, aumentou em 26%.

A agricultura também demonstra crescimento constante: em 2015, o acréscimo foi de 3%, e, nos primeiros sete meses de 2016, chega a 3,2%.

8.  Empresas e indivíduos estão optando por produtos nacionais

O efeito na indústria automobilística tem sido o mais evidente. Por meio da criação de joint ventures com empresas estrangeiras, em 2015, o volume de importações no setor caiu 22,5 pontos percentuais.

Houve também uma queda de 4,5 pontos percentuais na importação de minérios e metais; de 7,8 pontos percentuais na entrada de produtos têxteis; e de 4,1 pontos percentuais no setor de alimentos.

9. Empresas estão se saindo melhor do que as pessoas

No entanto, essas medidas de estabilização foram até agora incapazes de compensar a principal consequência da crise: a queda do bem-estar econômico dos russos.

Enquanto os rendimentos disponíveis e os salários reais dos cidadãos caíram, as empresas acumulam mais US$ 185 bilhões em suas contas.

10. Governo espera por impulso em investimentos

Para colocar a Rússia na trilha do crescimento sustentável, é necessário um aumento substancial na escala de investimento, passando dos atuais 20% para 22%-24% do PIB nacional. É preciso desenvolver medidas que não só incentivem os cidadãos a poupar, mas também incentivar sua transformação em investimentos. O problema não está nas taxas de juros, mas no alto nível de incerteza.

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