Com rublo em baixa, país desponta como destino médico

Número de pacientes estrangeiros aumentou quadruplicou em um ano

Número de pacientes estrangeiros aumentou quadruplicou em um ano

Iliá Pitalev/RIA Nôvosti
Busca por tratamento no país gera até US$ 154 milhões de receita extra para os cofres públicos. Além do fluxo cidadãos das ex-repúblicas soviéticas, observa-se um aumento de visitantes oriundos dos Estados Unidos e da Europa.

O número de estrangeiros que viajam ao país para obter tratamento médico vem aumentando e gerando uma receita extra ao Estado estimada em 7 a 10 bilhões de rublos (entre US$ 108 e 154 milhões) ao ano, segundo declarou Ígor Lanskoi, assessor do ministro da Saúde russo.

Além disso, enquanto, no passado, apenas cidadãos das ex-repúblicas soviéticas chegavam à Rússia para tratar questões de saúde, observa-se um fluxo cada vez maior de norte-americanos em busca de tratamento.

“Os cidadãos de países vizinhos, como países da CEI, vêm à Rússia, e é assim desde os tempos soviéticos. Afinal, os melhores remédios sempre estiveram concentrados em Moscou. Mas, ultimamente, estrangeiros de países distantes também têm vindo para cá”, diz David Melik-Guseinov, diretor do Instituto Federal de Pesquisa da OMS.

Melik-Guseinov relata ter observado, por exemplo, um aumento de cidadãos dos EUA no Centro Federal de Ortopedia e Traumatologia, em Kurgan (1.600 km de Moscou).

“Fiquei espantado ao ouvir as pessoas falarem inglês não em alguma clínica especial para expatriados em Moscou, mas em um hospital comum. Talvez, em termos de serviço, a gente esteja para trás em algumas áreas, mas, do ponto de vista do tratamento clínico, a qualidade da assistência médica em nosso instituto é tão boa quanto”, acrescenta Melik-Guseinov.

Mais cedo, a ministra da Saúde, Veronika Skvortsova, já havia informado que o número de estrangeiros submetidos a tratamento na Rússia em 2015 aumentou quatro vezes em relação ao ano anterior.

Quatro vezes mais barato

Especialistas consultados pela rádio Kommersant FM destacam que a procura de estrangeiros por procedimentos médicos no país cresce por causa do rublo fraco.

Tanto o tratamento como os serviços de acompanhamento na Rússia estão hoje quatro vezes mais baratos do que os oferecidos nos continentes americano e europeu, aponta Iakov Margólin, diretor-geral do Hospital das Clínicas em Iauza.

“Quando alguém quer se submeter a um tratamento em seu próprio país, mas o seu plano não cobre, a pessoa fica irritada e decide vir para a Rússia já que aqui poderá receber os mesmos serviços médicos a um preço muito mais baixo, especialmente nos arredores de Moscou”, explica Margólin.

“Também dispomos de serviços exclusivos pelos quais muitos vêm até nós, como medicina reprodutiva, sendo possível resolver problemas graves, entre eles ajudar as pessoas a ter filhos, por um preço baixo.”

Hospitais x clínicas

No entanto, os representantes de hospitais russos entrevistados pela Kommersant FM reclamam que, ao contrário das clínicas, não se observa um aumento de estrangeiros.

“Essas instituições simplesmente não investem o suficiente em publicidade”, afirma Galina Nazárova, vice-presidente do Conselho Central para Turismo e Lazer.

“Não recebemos estrangeiros, exceto pessoas do Azerbaijão e de ex-repúblicas soviéticas que tradicionalmente vêm a Kislovodsk [1.400 km ao sul de Moscou]. Também adoram Mineralnye Vody [mesma distância] para fazer tratamentos. Mas, em Sôtchi, bem como nos subúrbios de Moscou, a gente não vê o mesmo volume.”

De acordo com Nazárova, a promessa agora é que a península da Crimeia comece a receber pacientes “assim que tudo de acalmar na região”.

No mais recente ranking de países atraentes para o turismo médico realizado pela Visa, a Rússia ficou classificada em 34º lugar entre os 41 países listados. O topo da classificação é há anos encabeçado por Canadá, Reino Unido e Israel.

Publicado originalmente pelo jornal Kommersant              

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