Fórum Econômico Oriental tem balanço duplamente positivo

Durante o fórum, o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, pediu que o presidente russo, Vladímir Pútin, resolva a disputa territorial acerca das ilhas Curilas do Sul.

Durante o fórum, o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, pediu que o presidente russo, Vladímir Pútin, resolva a disputa territorial acerca das ilhas Curilas do Sul.

Aleksandr Riúmin/TASS
Acordos assinados durante encontro ultrapassaram os US$ 28,5 bilhões, mas principal resultado foi avanço nas relações com Japão.

O Fórum Econômico Oriental teve um enorme êxito, do ponto de vista dos contratos assinados durante sua realização, entre 2 e 3 de setembro, em Vladivostok, no extremo oriente da Rússia. Os mais de 200 acordos firmados chegam a mais de US$ 28,5 bilhões - contra os US$ 27,7 bilhões alcançados na edição de 2015.

"Este ainda é o segundo Fórum Econômico Oriental, então podemos avaliar seu resultado apenas analisando o número de visitantes e de acordos", acredita o diretor da consultoria de investimentos eToro na Rússia, Pável Salas.

Para Salas, os organizadores poderão avaliar os primeiros resultados do fórum após sua terceira edição, em 2017, usando por base os projetos efetivamente executados.

Mas, apesar do panorama aparentemente limitado de informações para avaliar o fórum, indicadores políticos, como o estreitamento de relações com o Japão, também se mostraram bem-sucedidos.

Analistas políticos afirmam que a presença de delegações de alto nível hierárquico do Japão e da Coreia do Sul já representam, por si sós, a grande importância do evento.

Durante o fórum, o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, pediu que o presidente russo, Vladímir Pútin, resolva a disputa territorial acerca das ilhas Curilas do Sul e prometeu investimentos de grande escala na economia do Extremo Oriente da Rússia.

"Não podemos dizer que o fórum contou com a presença de muitos participantes, mas mostrou claramente que é errado falar de um isolamento da Rússia", diz o analista da empresa de investimentos Freedom Finance, Gueôrgui Váschenko.

Grandes contratos

Um dos contratos mais importantes do evento, segundo declarações do Kremlin, foi o firmado para criação de uma plataforma russo-nipônica para atração de empresas japonesas ao porto franco de Vladivostok e a territórios russos com desenvolvimento prioritário, ou seja, áreas com regime fiscal e aduaneiro especiais para investidores. O lado japonês desse acordo será representado pelo Banco Estatal do Japão (JBIC, na sigla em inglês).

Durante o fórum também foi inaugurado um novo sistema de investimentos, o Voskhod, análogo russo da Nasdaq.

O aeroporto de Khabarovsk se tornou o primeiro emissor a vender ações na nova bolsa, e já conseguiu atrair US$ 2,2 milhões em investimentos.

“Esses acordos ajudam a fortalecer a credibilidade das empresas russas na arena internacional”, explica a analista da consultoria financeira Dominion FX, Maria Sálnikova.

Para ela, um dos contratos mais importantes foi o assinado pela maior petrolífera russa, a Rosneft, com a BR e a Schlumberger para o desenvolvimento de novas tecnologias da exploração sísmica.

Além disso, a Rosneft assinou outro documento com a empresa chinesa Sinopec para a construção de um complexo de processamento de gás natural na Sibéria Oriental.

Segundo o analista da consultoria financeira Finam, Timur Nigmatúllin, um dos projetos mais importantes lançado no fórum foi o dedicado à construção de um complexo químico na Sibéria, com investimento de US$ 7,7 pela petrolífera russa Sibur.

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