Líderes europeus participam de Fórum de São Petersburgo

Itália é convidado especial da atual edição do fórum, que acontece desde 1997

Itália é convidado especial da atual edição do fórum, que acontece desde 1997

TASS
Evento conhecido como ‘Davos russo’ foi iniciado nesta quinta-feira (16). Expectativa de analistas é que encontro contribua para aliviar sanções contra Moscou.

Teve início nesta quinta-feira (16) o 20º Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo (Spief), que contará com a presença do presidente russo, Vladímir Pútin, do secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Ban Ki-moon, e do presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, além de grandes economistas de todo o mundo.

De acordo com o porta-voz do presidente russo, Dmítri Peskov, Pútin pretende discutir o futuro do gasoduto North Stream-2, que ligará a Rússia com os países europeus através do mar Báltico, e as sanções bilaterais entre a Rússia e a UE, introduzidas em 2014 devido à crise na Ucrânia.

Expectativas políticas

De acordo com especialistas, mesmo se os participantes do fórum não fizerem declarações oficiais sobre a atenuação mútua das sanções, o evento ajudará a melhorar consideravelmente as relações entre a Rússia e a União Europeia devido às negociações diretas entre Pútin e Jean-Claude Juncker.

É a primeira vez que políticos europeus do alto escalão participam do fórum russo desde o início da crise ucraniana. "Não espero quaisquer avanços significativos, mas as conversações não oficiais ajudarão a facilitar a cooperação e melhorar o clima", acredita o analista da empresa financeira Finam Timur Nigmatúllin.

Geôrgui Váschenko, diretor de operações no mercado russo da empresa de investimentos Freedom Finance, concorda que as sanções não serão suavizadas neste ano. No entanto, segundo ele, a participação de altos funcionários europeus no fórum russo mostra que representantes de diversos países da UE estão prontos para o diálogo com a Rússia. A delegação italiana, por exemplo, será liderada pelo primeiro-ministro Matteo Renzi, o que indica a importância do fórum para o país.

Projetos econômicos

Todos os anos, durante o Spief, empresas russas assinam muitos acordos de investimento, inclusive com parceiros estrangeiros. Segundo Váschenko, em 2016, a maioria dos acordos será assinada na área de energia, tanto pela Rosneft, maior petrolífera russa, quanto pela Gazprom, maior produtora de gás natural do país. Váschenko estima que o volume de todos os acordos assinados poderá ultrapassar US$ 4 bilhões.

De acordo com dados da Finam, a cada ano o número de acordos assinados durante o fórum cresce, mas seu volume global diminui. Em 2013, foram assinados 102 acordos no valor total de US$ 146 bilhões; em 2014, 175 acordos no valor de US$ 6,1 bilhões, enquanto em 2015 foram 205 acordos no valor de US$ 4,5 bilhões.

Um dos maiores projetos será a construção do terminal para produção e transporte de gás natural liquefeito (GNL) entre a Gazprom e a Royal Dutch Shell no noroeste da Rússia. Segundo Nigmatullin, a assinatura desse acordo poderá se tornar o principal evento do fórum. "A capacidade total de transporte de duas linhas do terminal será de 10 milhões de toneladas de GNL por ano e poderá aumentar no futuro”, diz Nigmatúllin. O terminal deve começar a funcionar no final de 2021.

A região de Kaluga, localizada a sudeste de Moscou e famosa por sua produção de carros, discutirá o projeto Nova Rota da Seda com os chefes da Russian Railways e a empresa Samsung, enquanto a região de Moscou espera acordos nas áreas da indústria, agricultura e desenvolvimento da infraestrutura.

Em 2016, o convidado especial do fórum é a Itália, que trará 22 empresas ao evento, incluindo o banco Intesa Sanpaolo, a fabricante de pneus Pirelli, a empresa de energia ENEL, o produtor de equipamentos para metalurgia Danieli e outros.

Entre os países participantes está também a Venezuela, cuja delegação será chefiada pelo ministro da Energia, Eulogio Del Pino, que pretende se reunir com o seu homólogo russo, Aleksandr Novak, e com o presidente da Rosneft, Ígor Sêtchin.

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