Russos poderão substituir fornecedores de gás norte-americanos na França

Transporte de GNL nos arredores da cidade de Korsakov, no Extremo Oriente russo

Transporte de GNL nos arredores da cidade de Korsakov, no Extremo Oriente russo

AFP/East News
Possível decisão do governo francês de proibir a importação de gás de xisto dos Estados Unidos deve beneficiar as companhias Novatek e Gazprom.

A ministra da Economia e Energia da França, Ségolène Royal, declarou que o governo francês está estudando a possibilidade de proibir a importação de gás de xisto dos Estados Unidos, uma vez que o produto é explorado por fraturamento hidráulico, tecnologia banida por Paris desde 1º de julho de 2011.

A decisão deve afetar sobretudo as empresas francesas EDF e Engie, que já assinaram contratos para o fornecimento de gás norte- americano e deverão receber os primeiros lotes de GNL entre junho e agosto.

“Essas empresas terão que achar novos parceiros em outros mercados para importar gás produzido de forma tradicional”, declarou Royal.

Para especialistas, a decisão poderia também aumentar a participação das empresas russas no mercado da França. 

Segundo o diretor das operações de mercado da empresa de investimentos russa Freedom Finance, Gueôrgui Váschenko, a possível proibição de fornecimento de gás dos EUA fortalecerá a posição da empresa francesa Total e de sua parceira russa, Novatek, a maior produtora privada de gás na Rússia.

“A Total e a Novatek estão desenvolvendo seu próprio projeto de produção de gás sem fraturamento no norte da Rússia e não estão interessadas em novos concorrentes”, disse Váschenko.

Impacto para a Gazprom

A Rússia fornece cerca de 25% do gás consumido pela França, que é o quinto maior comprador de gás russo na Europa. Segundo o analista da empresa financeira russa Finam, Aleksêi Kalatchev, nesse contexto, os volumes de gás importado pela Engie e pela EDF são insignificantes.

“O gás russo fornecido por meio de gasoduto é mais barato do que o gás de xisto importado dos Estados Unidos”, explicou o professor da Academia Presidencial da Economia Nacional e Administração Pública da Rússia, Ivan Kapitonov.

Segundo o especialista, a proibição da compra de gás dos EUA pode estar associada não apenas com considerações ambientais ou políticas, mas econômicas.

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