50% de salários dos russos são destinados a alimentação

Último recorde foi registrado em maio de 2009, quando a parcela de produtos alimentares atingiu 49,6% do volume de negócios de varejo.

Último recorde foi registrado em maio de 2009, quando a parcela de produtos alimentares atingiu 49,6% do volume de negócios de varejo.

Alexander Ryumin/TASS
Aumento da pobreza força russos a cortar bens não essenciais. Especialistas não têm previsões de melhoria para um futuro próximo.

Pela primeira vez em oito anos, comida, bebidas alcoólicas e tabaco compõem a maior fatia (50,1%)  do volume de negócios de varejo na Rússia, de acordo com pesquisa mensal de fevereiro de 2016 sobre a situação sócio-econômica da população e bem-estar público, realizada pelo Instituto de Análise Social da Academia Presidencial de Economia Nacional e Administração Pública da Rússia.

O último recorde foi registrado em maio de 2009, quando a parcela de produtos alimentares atingiu 49,6% do volume de negócios de varejo.

"Os gastos da população com alimentos estão crescendo hoje, o que se reflete na diminuição da renda real e no aumento da pobreza. Quanto mais pobre a família, maior será a parte do orçamento destinada à comida", lê-se no documento divulgado pelo instituto.

Em fevereiro de 2016, a renda real dos russos diminuiu 6,9% e os salários reais caíram 2,6%, em comparação com o mesmo período do ano anterior. O nível de pobreza aumentou 2,2%, chegando a 13,4%. Da população russa, 50% afirma sentir uma diminuição no nível de vida.

Segundo o relatório, em março de 2016, 89% dos russos de baixa renda passaram a economizar em bens e serviços.

"Além dos gastos em comida, os russos têm outras despesas mensais: dívidas, hipotecas e outros compromissos financeiros. Nessas condições, a maioria dos russos têm adiado ou cancelado a compra de carros, equipamentos eletrônicos ou móveis”, diz a analista sênior do banco Raiffeisen Bank, Natália Kolupáeva. 

"A luz no fim do túnel parece cada vez mais fraca”, diz Maria Ivanova, uma das autores da pesquisa. Segundo ela a fatia ocupada por produtos alimentares nos orçamentos dos russos continuará a crescer em 2016.

"A renda real da população vai cair, e, consequentemente, o consumo de bens essenciais vai crescer”, conclui.

Publicado originalmente pelo jornal Kommersant.

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