Crise derruba salários e investimentos em inovação

Com salários não reajustados e até menores, cidadãos vêm poder de compra encolhido

Com salários não reajustados e até menores, cidadãos vêm poder de compra encolhido

Shutterstock/Legion-Media
Enquanto o governo reforça a necessidade de reformas estruturais, os economistas presentes no fórum “Foreigners Life”, encerrado no domingo (7), em Moscou, apontam para os principais dilemas – e possíveis alternativas – para a economia nacional.

1. Pobreza acelerada

Em comparação com as crises anteriores, a população russa está hoje empobrecendo muito mais rapidamente. No final de 2015, a quantidade de bens adquiridos pelos russos diminuiu 10%.

Mesmo durante a crise mais grave da história moderna do país, em 1998, esse indicador caiu apenas 5%, e, depois da crise financeira global, em 2009, a redução do consumo ficou em 4%.

Segundo os economistas, o fenômeno atual se deve por vários motivos. Entre eles, o fato de que, para aumentar os lucros, as empresas reduzem os salários. Por exemplo, em 2015, enquanto os salários nominais cresceram somente 4,6%, os rendimentos das empresas aumentaram 49%.

No entanto, para os especialistas, isso só acontece devido à falta de sindicatos eficazes, que poderiam defender os direitos dos trabalhadores.

2. Câmbio flutuante X inflação

Em 2014, o Banco Central da Rússia decidiu adotar o regime de câmbio flutuante para a moeda nacional. A decisão causou uma drástica queda na taxa de câmbio, e o rublo perdeu cerca de 60% do seu valor em relação ao dólar norte-americano.

Alem disso, devido à alta dependência das vendas de petróleo, cujo preço vêm despencando nos últimos tempos, a cotação do rublo pode crescer ou perder 20% de seu valor em um único mês.

Com a alta volatilidade do rublo, a tendência é que a inflação cresça 7% por ano – em 2015, o aumento chegou a 15,5%.

Nesse cenário, as taxas de juros sobre empréstimos bancários não podem ser inferiores a 15%-20%, dificultando a compra de novos equipamentos e aumento da produção pelas empresas.

3. Empresas não inovam

No ano passado, em comparação com a crise de 2008 e 2009, a queda do PIB russo e da receita gerada por indústrias não foi muito grave – em 2015 caiu 3,7%, contra 7,9% em 2009.

A má notícia, entretanto, é a queda dos indicadores que determinam o futuro crescimento econômico: os investimentos em ativos fixos caíram 8% e a importação de equipamentos despencou 38%.

Como resultado, as empresas russas são obrigadas a modernizar ou substituir equipamentos uma vez a cada 14 anos, e não a cada 7 anos como ocorre na União Europeia. Até as petrolíferas, que são considerados as empresas mais ricas do país, estão reduzindo os programas de investimentos.

4. Inércia da China

Apesar das declarações políticas favoráveis, os investimentos chineses não chegaram ao mercado russo. Pelo contrário, diversos investidores chineses começaram a retirar fundos da Rússia.

No último dia 4 de fevereiro, por exemplo, o fundo de investimento chinês Chengdong Investment decidiu vender sua participação na bolsa de valores de Moscou.

Para os economistas, a Índia poderia substituir a China, como observado na época soviética. Por outro lado, uma vez que vários países europeus têm taxas de juros negativas, os investidores têm mostrado interesse em buscar no exterior.

Artigo baseado em relatórios do acadêmico Abel Aganbeuian, do ex-vice-presidente do Banco Central Konstantin Korícshchenko e do diretor do departamento de Previsões Macroeconômicas do banco Vnesheconombank, Oleg Zasov, apresentados no fórum ‘Foreigners Life’, em Moscou.

 

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