Índice oficial de pobreza atingirá 16%, alerta Banco Mundial

Aposentados estão entre os mais afetados por crise econômica sem precedentes

Aposentados estão entre os mais afetados por crise econômica sem precedentes

Tass
A quarta crise econômica na Rússia em 25 anos está sendo acompanhada por queda dos rendimentos familiares e aumento da pobreza. Sem recursos financeiros e institucionais para adaptação social, analistas alertam para declínio do padrão de vida.

A queda real de rendimentos, salários e aposentadorias, que teve seu ápice na Rússia em 2015, será perpetuada ao longo deste ano, avaliam os analistas do Banco Mundial. A tendência, que vem acompanhada pelo crescimento do subemprego, deve fazer com que o índice oficial de pobreza no país alcance os 16%.

Menos otimistas, os analistas russos acreditam ainda que, em um futuro próximo, esse indicador possa englobar de 30% a 50% da população do país, sobretudo aposentados e funcionários que tiveram sua carga de trabalho e salário reduzidos.

“O país está se movendo para um nível normal de salários e consumo. É lamentável, mas é a realidade”, diz o especialista do Centro Analítico do Governo russo, Leonid Grigoriev.

O nível dos salários em relação ao PIB russo vinha crescendo desde 2006, enquanto diminuía no resto do mundo, o que teve um impacto negativo sobre a competitividade e produtividade da economia nacional. Em 2014, esse indicador se igualou à média mundial (52%), mas se manteve acima da média nos países emergentes (41%).

Embora a imposição de sanções contra a Rússia e a queda dos preços do petróleo aos níveis atuais fossem sequer cogitadas antes de 2012, diversos economistas já haviam alertado que a bolha de consumo, inchada por preços altos do petróleo e grandes despesas orçamentais, estaria prestes a estourar.

Desigualdade

Além de o Estado não dispor atualmente de recursos para apoiar o antigo modelo de crescimento econômico baseado no consumo, a ausência de instrumentos eficazes para redistribuição da riqueza e adaptação social impõe novos desafios.

O nível de desigualdade social não sofreu alterações nos últimos anos, apesar do rápido crescimento dos rendimentos pré-crise entre certos grupos sociais e regiões.

Estima-se, por exemplo, que, em 2014, 20% da população vivia com um rendimento mensal de 7 mil rublos (US$ 92). No entanto, o nível real de estratificação é bem maior.

De acordo com o estudo "Armadilhas da Percepção-2015", realizado pelo centro Ipsos Public Affairs, 1% dos cidadãos mais ricos da Rússia concentram 70% de todos os rendimentos no país.

Publicado originalmente pelo jornal Kommersant

 

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