Entre baixas na economia, Banco do Brics vira aposta

Em cúpula na Rússia, parceiros do Brics discutiram medidas para promover reformas nas estruturas financeiras mundiais

Em cúpula na Rússia, parceiros do Brics discutiram medidas para promover reformas nas estruturas financeiras mundiais

EPA
Nova instituição trouxe contraponto ao ano econômico da Rússia, marcado sobretudo por queda dos preços do petróleo, desvalorização do rublo e congelamento de contratos.

1. Banco de Desenvolvimento do Brics inicia operações

Na véspera da 7ª Cúpula do Brics, realizada em 8 e 9 de julho em Ufá, nos Urais, o ministro das Finanças russo, Anton Siluanov, anunciou o início das atividades do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) do Brics, com o objetivo de financiar projetos infraestruturais dos países-membros e de outros em desenvolvimento.

A instituição, que opera com um capital de 100 bilhões de dólares, deu oficialmente início a suas operações em Xangai, na China, no dia 21 de julho. Apesar do avanço, a ideia de moeda única entre os Brics não entrou na agenda de 2015.

“A criação de uma união monetária requer uma imensa quantidade de medidas prévias para a integração de regulamentos fiscais, orçamentais, legislação aduaneira, técnicos, e assim por diante”, ressaltou Siluanov.

Paralelamente, os diretores dos bancos centrais do Brics também ratificaram um acordo multilateral referente ao fundo de reservas cambiais do grupo, que entrou em vigor em 30 de julho.

O fundo, que funciona como uma espécie de seguro para os países-membros do Brics em situações de emergência, foi fixado em US$ 100 bilhões, dos quais a China contribuiu com US$ 41 bilhões, o Brasil, a Índia e a Rússia, com US$ 18 bilhões, e a África do Sul, com US$ 5 bilhões.

2. Banco Central reduz taxa básica de juros para 11%

MOSCOW, RUSSIA. SEPTEMBER 11, 2015. Russian Central Bank Governor Elvira Nabiullina gives a press conference following a meeting of the Central Bank Board of Directors. It was decided to maintain the key rate at 11% per annum because of higher inflation risks.  Foto: Newscom/Vostock-PhotoPresidente do banco central russo, Elvira Nabiullina decidiu manter taxa básica de juros em 11% ao ano para conter o risco de inflação Foto: Newscom/Vostock-Photo

Em janeiro de 2015, o Banco Central da Rússia reduziu a taxa básica de juros de 17% para 15%. Nos três meses seguintes, o órgão regulador continuou diminuindo sucessivamente a taxa até atingir 12,5%.

A ideia era, desse modo, estabilizar a situação formada ainda no final de 2014, quando a forte desvalorização da moeda havia estimulado os exportadores russos a abandonar as vendas em divisas e preferir os empréstimos em rublos para pagar os impostos. Por causa dos juros altos na Rússia, a quantidade de empréstimos vinha diminuindo e a indústria ficou sem recursos para desenvolver novas capacidades.

Em agosto passado, a taxa básica de juros foi fixada em 11% ao ano.

3. Começo e fim do projeto Turkish Stream

Erdogan Foto: Zuma\TASSErdogan (Turquia) via no Turkish Stream uma forma de abastecer o próprio país Foto: Zuma\TASS

Depois de renunciar, no final de 2014, sua participação no gasoduto South Stream, que transportaria gás da Rússia para o sul da Europa pelo fundo do mar Negro, Moscou encontrou uma nova variante para o fornecimento de gás à Europa evitando o território da Ucrânia - isto é, através da Turquia.

As negociações para a construção do gasoduto Turkish Stream foram iniciadas no primeiro semestre de 2015. Enquanto a Rússia planejava construir o principal gasoduto para fornecimentos à Europa, a Turquia via nas obras uma forma de atender suas próprias necessidades.

No entanto, como o projeto não progredia, Moscou se viu obrigada a buscar alternativas, optando, assim, pelo projeto de expansão do gasoduto no fundo do mar Báltico, o chamado North Stream 2.

No final de novembro, o conflito na Síria e o abate de um bombardeio Su-24 russo pela aviação turca congelou as conversações para construção do Turkish Stream.

4. Alimentos sancionados e destruídos

	A bulldozer crushes illegally imported cheese at a landfill near the village of Podgorodnyaya Prokrovka, Orenburg Region, Aug.7, 2015. Source: Sergei Medvedev/TASS Tratores destruíram 319 ton de alimentos apenas no primeiro dia Foto: Serguêi Medvedev/TASS

Em agosto passado, entrou em vigor um decreto assinado pelo presidente Vladímir Pútin que prevê a destruição de produtos sancionados. Desde então, os produtos alimentares dos EUA e da UE cuja entrada no país estava proibida começaram a ser enterrados e queimados.

Só no primeiro dia, 319 toneladas de alimentos foram destruídos por tratores. A decisão do governo provocou protestos e cerca de 250 mil pessoas assinaram uma petição para anular a medida. 

No entanto, o decreto continua em vigor. A suposta ameaça para a saúde da população foi um dos argumentos usados pelas autoridades, já que os produtos do contrabando não possuem os certificados necessários. 

A Rosselkhoznadzor (Agência Russa de Controle Veterinário e Fitossanitário) alega também que o método é a forma mais eficaz de lutar contra a falsificação de produtos. 

5. Petróleo derruba orçamento federal

Source: ShutterstockQueda dos preços mundiais do petróleo impactaram orçamento para 2016 Foto: Shutterstock
A volatilidade do preço do petróleo forçou o governo a abandonar o usual planejamento orçamentário de três anos para um.

No final de agosto, os preços mundiais do petróleo atingiram o nível mais baixo em seis anos. O petróleo do tipo Brent chegou a ser comercializado a US$ 42,51 dólares por barril, e do tipo WTI, a US$ 37,75.

Para o orçamento federal russo, em que 50% das receitas são provenientes da exportação de petróleo e gás, a diferença de 10 a 20 dólares por barril é crucial.

Como resultado, decidiu-se planejar o orçamento apenas para 2016, ano em que o equilíbrio do orçamento será mantido à custa de cortes em serviços de defesa, educação, saúde e sociais.

6. Transaero decreta falência

Aircraft from the Transaero fleet at Moscow’s Vnukovo airport. Source: Press PhotoApesar dos planos arrojados, Transaero não conseguiu sobreviver à crise Foto: Press Photo

O governo russo anunciou, em outubro, que a companhia aérea russo Transaereo fecharia as portas. Assim terminou a história da segunda maior empresa de transporte aéreo do país, cuja aparição na década de 1990 marcou o início de uma verdadeira concorrência no setor nacional de aviação civil.

O fim da empresa se deveu à arriscada estratégia de desenvolvimento, que previa o aumento do crédito e do volume de voos. A situação foi agravada pela crise econômica, gerando uma diminuição significativa no fluxo de passageiros e a impaciência dos credores.

Ao decretar falência, a dívida da Transaereo era de 260 bilhões de rublos (4 bilhões de dólares). A saída desse importante agente do mercado teve um impacto negativo sobre a mobilidade dos russos e provocou um aumento nos preços das passagens.

Por outro lado, diversas companhias privadas começaram a ocupar o nicho deixado pela Transaereo em determinados destinos. A principal beneficiária é, sem dúvidas, a companhia estatal Aeroflot.

 

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