Sanções russas contra a Turquia afetarão ambos

Cerca de 20 dos 25 bilhões de dólares da balança comercial bilateral são compostos por exportações russas à Turquia.

Cerca de 20 dos 25 bilhões de dólares da balança comercial bilateral são compostos por exportações russas à Turquia.

AP
Maior parte do comércio bilateral é composta por exportações russas de trigo e gás, que o governo não planeja suspender.

Após a derrubada de um caça russo na Turquia no final de outubro, Moscou introduziu sanções econômicas contra o país no último sábado (28), entre outras medidas de retaliação.

A partir de 1 de janeiro de 2016, as empresas russas estão proibidas de empregar cidadãos turcos e o regime de isenção de vistos de turista será abolido.

Além disso, em breve o governo proibirá a a participação de empreiteiras turcas em licitações de obras públicas no país.

Entretanto, ainda não se decidiu especificamente quais setores da indústria serão afetados.

De acordo com a agência oficial de estatística russa Rosstat, a Turquia é o quinto maior parceiro comercial do país.

Em 2014, o volume do comércio entre os dois países chegou aos US$ 44 bilhões e, apenas nos três primeiros trimestres de 2015, aos US$ 18,1 bilhões.

Mas o fluxo de mercadorias que parte da Rússia à Turquia é muito maior que o contrário: em 2015, a importação russa de mercadorias turcas foi de pouco mais de US$ 3 bilhões.

"Até o final de 2015, espera-se que o volume total de negócios bilaterais atinja entre 23 e 25 bilhões de dólares, dos quais cerca de 20 bilhões de dólares serão em exportações russas", diz Aleksandr Knobel, diretor de pesquisas da Academia Russa Presidencial da, instituto econômico próximo ao governo russo.

Relações comerciais

Grande parte das exportações russas para a Turquia é composta por cereais e gás, commodities às quais não se planeja introduzir limitações.

Apenas em 2014, a gigante do gás russa Gazprom forneceu à Turquia 27,3 bilhões de metros cúbicos do produto.

O consumo turco o colocou em segundo lugar no ranking dos maiores compradores da commodity russa, atrás apenas da Alemanha.

A Turquia, por sua vez, enviou quase um bilhão de dólares em alimentos à Rússia. Mais da metade desse volume foi composta por tomates e frutas cítricas.

"Mas é improvável que a Rússia imponha limites à importação de frutas e legumes turcos às vésperas das festas do Ano Novo. O mais provável é que se faça um reforço no controle sanitário", diz Knobel.

Outros itens de peso das exportações turcas à Rússia são os têxteis e calçados.

Segundo dados da Rosstat, nos três primeiros trimestres de 2015, a Rússia importou da Turquia US$ 514 milhões em têxteis e US$ 48 milhões em calçados.

"Mas, caso as sanções afetem esses setores, os produtos turcos poderão continuar a entrar na Rússia através do território da Bielorrússia", diz a diretora-geral da consultoria Marketolog, Olga Jiltsova.

Queda no volume de negócios

Com as sanções, as construtoras turcas em operação na Rússia também poderão ter que deixar o país.

"Muitas construtoras turcas atuam no setor imobiliário, especialmente no ramo comercial, e não descartamos a possibilidade de que parte delas abandone grandes projetos no país. A confiança foi colocada em questão", disse ao jornal econômico RBC o ministro da Indústria da Construção russo, Mikhail Men.

Analistas dizem, entretanto, ser impróvavel que o volume de transações caia a menos da metade.

"Não acho que a queda do volume de negócios chegue sequer a 50% em 2016", diz Knobel.

Mas, para ele, as perdas serão maiores para projetos que ainda estavam em prospecção.

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, anunciou que o volume de comércio com a Rússia poderia chegar aos US$ 100 bilhões em 2020.

A estimativa se baseava na então possível implementação de grandes projetos bilaterais, como o gasoduto Turkish Stream e a central nuclear de Akkuyu – que, agora, provavelmente sejam cancelados.

Contra as acusações de colaboração com o Estado Islâmico feitas por Pútin, Erdogan ainda afirmou na segunda-feira (30) que, caso comprovadas as supostas compras de petróleo da organização terrorista pela Turquia, ele renunciaria ao cargo de presidente.

 

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