Sanções à Turquia devem encarecer produtos agrícolas

Turquia é importante fornecedor de tomate, cebola e pepino à Rússia.

Turquia é importante fornecedor de tomate, cebola e pepino à Rússia.

Reuters
Decreto assinado pelo presidente russo Vladímir Pútin dificulta comércio e turismo entre os dois países. Medidas impostas na esteira de abate de caça russo pela Turquia terão consequências negativas para ambas as economias, alertam os especialistas.

Entre as medidas presentes no decreto assinado pelo presidente Vladímir Pútin no sábado (28), o governo russo decidiu apertar o controle sobre o fornecimento de produtos agrícolas e outros alimentos provenientes da Turquia, bem como organizar verificações adicionais na fronteira. A notícia foi, porém, encarada com ressalvas por especialistas do mercado.

“Em 2014, o volume de comércio geral entre a Rússia e a Turquia atingiu os US$ 44 bilhões. A Turquia ocupa o quinto lugar no volume de negócios com a Rússia, perdendo apenas para a China, Alemanha, Holanda e Itália”, disse à Gazeta Russa o professor Aleksêi Portánski, da Escola Superior de Economia. Esse montante equivale a 5% do comércio exterior do país.

Além disso, segundo o Ministério da Agricultura russo, as importações de alimentos da Turquia ascenderam a US$ 1 bilhão durante os primeiros dez meses de 2015. Nesse mesmo período, as vendas de produtos hortícolas e frutas para a Rússia corresponderam a quase US$ 500 milhões.

Embora a participação da Turquia nas importações totais de alimentos do país em 2014 tenha sido de 4%, o país responde, por exemplo, por 43% do total do tomate importado pela Rússia.

Os comerciantes locais e economistas alegam que a desistência da importação de produtos alimentares da Turquia levará ao aumento do preço desses alimentos. “E a Turquia encontrará mais rapidamente compradores substitutos para seus legumes e frutas do que a Rússia, novos fornecedores”, diz o representante da rede de mercados Petrovski, Andrêi Averianov.

Projetos congelados

O presidente russo Vladímir Pútin assinou um decreto no sábado (28) impondo sanções econômicas contra a Turquia. As medidas foram introduzidas quatro dias depois o governo turco abater um caça russo na fronteira com a Síria.

Além do aperto à importação de agrícolas, o decreto, que entrou em vigor no mesmo dia, prevê a restrição de cidadãos turcos em empresas russas, a anulação do regime de isenção de vistos, e a paralisação de voos charter entre os países e da venda de pacotes turísticos para a Turquia.

Algumas das medidas anunciadas, como a suspensão de pacotes à Turquia, que foi o destino mais popular entre os russos em 2014 (3,3 milhões de turistas), já vinham sendo informalmente aplicadas pelas principais agências e operadores turísticos do país.

O governo russo justificou o decreto para  “garantir a segurança nacional da Rússia e proteger os cidadãos russos de atividades criminosas e ilegais”. Já o porta-voz do presidente russo, Dmítri Peskov, considerou as medidas “uma reação natural ao comportamento imprevisível das autoridades turcas”.

Apesar de as ações da Rússia serem “compreensíveis e justificadas”, segundo Pável Salas, diretor-geral da corretora eToro, ambos os países poderão sofrer perdas, dada a ampla cooperação econômica existente”.  

Salas destaca, por exemplo, a possível recusa da Turquia em ajudar as empreiteiras russas na construção da nova central nuclear de Akku. “Um projeto que está estimado em dezenas de bilhões de dólares”, acrescenta.

Na semana passada, o ministro do Desenvolvimento Econômico russo Aleksêi Uliukaiev chegou a afirmar que as sanções também congelariam a construção do gasoduto russo-turca Turkish Stream, cujo acordo foi assinado em dezembro do ano passado.

 

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