Refinarias da UE aumentam importação de petróleo saudita

Reuters
Novos fornecimentos ameaçam posições da Rússia em mercado estratégico para o país. Apesar dos prognósticos, custos adicionais para Europa devem limitar poder da concorrência.

As petrolíferas inglesa Shell, francesa Total, italiana Eni e americana Exxon vêm aumentando as compras do petróleo saudita para suas fábricas na Europa Ocidental e no Mediterrâneo.

 “O petróleo da Arábia Saudita sempre foi comercializado no mercado europeu, mas agora o volume de vendas está crescendo”, diz Aleksandr Pásetchnik, do Fundo Nacional de Segurança Energética. “Em 2010, cerca de 10% do petróleo utilizado na Europa era saudita. Hoje, esse volume é significativamente maior.”

Na semana passada, o diretor da petrolífera russa Rosneft, Ígor Sétchin, também declarou que o país árabe tinha iniciado as vendas à Polônia a preços de dumping (menor do que o praticado na própria Rússia).

A nova tendência reflete, porém, o surgimento de um novo corredor logístico, e não uma nova divisão do mercado, segundo Pásetchnik. “O porto polaco de Gdansk começou a receber petróleo da Arábia Saudita, o que aumentaria os riscos econômicos para a Rússia”, diz.

A expansão ao mercado europeu é um dos passos lógicos para a Arábia Saudita, já que os países produtores de petróleo não planejam reduzir o volume de extração. “Em vez de saturar os mercados, é muito mais fácil achar novos compradores”, explica Iúri Prokúdin, analista da empresa de informação analítica FX Bazooka.

Outra razão é a iminente entrada do Irã no mercado mundial de petróleo. “Após o levantamento das sanções econômicas contra Teerã, o petróleo iraniano vai entrar no mercado europeu. Para minimizar os riscos, a Arábia Saudita reforça sua posição na região”, adianta Pásetchnik.

“Ainda não sabemos as condições exatas de fornecimento do petróleo, mas podemos dizer que um barril de petróleo da Arábia Saudita custará US$ 48 ou US$ 49, ou seja, US$ 4 ou US$ 5 mais barato do que o barril de petróleo tipo Urals”, diz Prokúdin. “Além disso, o Irã tem a oportunidade de fornecer um desconto adicional de até US$ 1.

Atualmente, a Rússia fornece cerca de 25% do petróleo consumido pela Europa. Em 2015, o volume aumentou 5,5% até 97,6 milhões de toneladas. De acordo com as estimativas de Prokúdin, ao longo do próximo ano, a Rússia poderá perder um terço desse volume.

Apesar dos prognósticos, o aumento das exportações sauditas é mais um sinal de alarme para a Rússia do que uma ameaça real, garante Pásetchnik. “Para reorientar as refinarias europeias ao petróleo da Arábia Saudita, seria necessário modernizar as instalações de produção e mudar as cadeias de fornecimento, o que implica custos adicionais significativos. Até os preços mais baixos do petróleo não irão compensar esses gastos”, explica.

Na mão contrária

Embora a Rússia comece a perder sua participação no mercado europeu, será possível aumentar as exportações para a China, cujos volumes de compra devem crescer cerca de 3,2% ao ano.
A longo prazo, porém, a Rússia poderá sofrer com a insuficiência de investimentos e a diminuição da produção, que ameaça as garantias de cobrir a demanda asiática.

“Os parceiros asiáticos ainda não estão preparados do ponto de vista tecnológico para aumentar o consumo de petróleo russo. Por isso, a UE continua a ser muito importante para a Rússia”, diz Pásetchnik.

 

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