Paraná estreita relações com país

Em Brasília, embaixador russo (esq.) recebe governador do PR.

Em Brasília, embaixador russo (esq.) recebe governador do PR.

Divulgação
Estado torna-se segundo na escala de importância no Brasil, atrás apenas de São Paulo. Governador visita Moscou na semana que vem.

Parceiros comerciais de longa data, Paraná e Rússia têm feito de 2015 um ano de aprofundamento das relações. A construção de um ambiente de negócio mais profícuo para a iniciativa privada passa pela ação conjunta de governantes e autoridades de ambos os lados.

O primeiro passo foi dado em setembro, com a visita da comitiva liderada pela vice-governadora do Paraná, Cida Borghetti, à Rússia. Também em setembro, o governador Beto Richa reuniu-se em Brasília com o embaixador russo no Brasil, Serguêi Pogóssovitch Akopov.

Agora é a vez de Richa visitar a Rússia. A pauta se inicia na próxima segunda-feira (19) com uma visita da comitiva ao VneshEconomBank (VEB), banco de desenvolvimento russo. Na sequência, ocorre um encontro com representantes da Gazprom. Richa visita ainda a sede da produtora de fertilizantes Uralkáli e, por fim, a sede da empresa de aviação Irkut Corporation.

“Desde meu primeiro dia de gestão, busco empreendedores, tanto nacionais como internacionais, para investirem no Paraná. A Rússia é um mercado potencial, com empresas sólidas e capital suficiente, para intensificarmos nossas relações comerciais”, diz o governador.

Atualmente, as exportações do Paraná para a Rússia concentram-se em alimentos e produtos agrícolas. No topo da lista estão açúcar, café solúvel, carne de frango, de porco e bovina. Neste ano, o Paraná já vendeu US$ 147 milhões para a Rússia. Por outro lado, a Rússia vende para o Paraná, basicamente, produtos químicos. As vendas russas para o Paraná bateram na casa dos US$ 233 milhões.

Frase

" A viagem [à Rússia] tem dois objetivos para o desenvolvimento econômico do Paraná: atrair novos investimentos produtivos, que são vitais para nossa economia, e elevar a participação do Estado no comércio exterior. Estaremos na Gazprom, a maior exportadora de gás natural do mundo, na sede da produtora de fertilizantes Uralkáli e da empresa de aviação Irkut. Outro contato importante será com diretores do VneshEconomBank, o banco de desenvolvimento russo. A Rússia é um mercado potencial, com empresas sólidas e capital suficiente para intensificarmos nossas relações comerciais."

Beto Richa, governador do Estado do Paraná

Complementares

A parceria comercial iniciou-se há pelo menos três décadas com a venda de café da empresa paranaense Cacique para a extinta URSS.

“Há muito ainda a ser explorado nessa relação. Podemos ampliar o comércio de manufaturados e a presença dos produtos da nossa agroindústria”, diz Reinaldo Tockus, gerente de negócios exteriores da Fiep (Federação das Indústrias do Paraná).

“Existem áreas muito complementares. A Rússia tem uma grande necessidade por alimento, em especial proteínas animais, e o Paraná é especialista nisso”, afirma o diretor-superintendente da Agência Paraná Desenvolvimento, Adalberto Bueno, que integrará a comitiva do governador na Rússia.

Por outro lado, explica, a Rússia domina certas tecnologias, com destaque para áreas como saúde, aviação e energia, que são interessantes para o Estado. Além disso, o Paraná seria um ponto de entrada privilegiado para toda América do Sul, um dos grandes interesses dos russos.

Algumas parcerias comerciais e tecnológicas já estão em andamento. Na área da saúde, são três contratos. O Instituto de Tecnologia do Paraná e a empresa russa Biocad já são parceiros para a produção de medicamentos de combate ao câncer.

Em setembro, durante a visita da vice-governadora também foi firmado um acordo com a Rosatom, empresa de energia nuclear russa, para a instalação de centros médicos oncológicos e desenvolvimento de novas tecnologias por imagens.

Na mesma ocasião, firmou-se um acordo de transferência de tecnologia com a Universidade Nacional de Pesquisa Nuclear de Moscou para o desenvolvimento de pesquisas conjuntas no combate ao câncer de mama.

Além disso, o governo do Estado e a fábrica de aviões Irkut fecharam uma parceria para implantar unidades de fabricação de peças e um centro de operações para atender Brasil e América Latina. O complexo funcionará na cidade de Maringá, terceira maior do Estado. Com 397 mil habitantes, Maringá investe para se tornar uma referência regional e nacional.

“Estamos nos estruturando para receber investimentos no setor. Esse tipo de parceria com a Rússia tem tudo para gerar empregos de alta qualidade e trazer tecnologia de ponta para o Estado”, diz o prefeito de Maringá, Roberto Pupin.

Concorrente da Boeing

O foco do projeto brasileiro são os MC-21, que têm capacidade de 150 a 212 passageiros e já estão em produção na cidade de Irkutsk. O modelo compete diretamente com os aviões comerciais Airbus A320 e Boeing 737.

Compra de aviões Irkut é uma das apostas para transformar Maringá, no norte do Estado, em centro tecnológico no setor aéreo.  Foto: Divulgação

“O MC-21 tem alto desempenho de voo com menor consumo de combustível. Isso permite que as companhias aéreas obtenham um lucro três vezes maior e o retorno dos investimentos em metade do tempo gasto com outros aviões”, diz o vice-presidente da Irkut, Kirill Budaev.

A expectativa agora fica por conta de negociações na área de energia. Para o presidente da Copel (Companhia Paranaense de Energia), Luiz Vianna, também presente na comitiva do governador, a passagem pela Rússia é fundamental para a prospecção de fornecedores de gás. “A Copel aposta neste setor já há alguns anos, com a compra de gás para geração de energia e distribuição“, diz.

 

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