Preço do petróleo afeta economia russa mais que sanções

"As sanções foram impostas há um ano, mas a queda da economia começou apenas no início de 2015, após a diminuição drástica dos preços do petróleo".

"As sanções foram impostas há um ano, mas a queda da economia começou apenas no início de 2015, após a diminuição drástica dos preços do petróleo".

Iliá Pitalev/Ria Nóvosti
Desvalorização do rublo e alta dos juros foram causados por alta do petróleo.

A introdução de sanções americanas e europeias contra a Rússia levou a uma retração da economia russa de apenas 0,5 a 0,6%, segundo concluiu uma pesquisa realizada por Andrei Siniakov e Serguêi Selezniov, funcionários do Banco Central da Rússia, e Agustin Roitman, economista do Fundo Monetário internacional. A maior causa da recessão enfrentada pelo país atualmente é o baixo preço do petróleo.

De acordo com dados oficiais, no primeiro semestre de 2015 o Produto Interno Bruto da Rússia diminuiu 3,4% em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Segundo o chefe do laboratório de estudos dos problemas da inflação e crescimento econômico da Escola Superior de Economia da Rússia, Vladímir Bessonov, as conclusões da pesquisa estão corretas. "A precisão dessas avaliações é inevitavelmente relativa, mas eu confirmo que em geral a queda do PIB na Rússia não foi causada pelas sanções, mas pela diminuição dos preços do petróleo", disse Bessonov.

Segundo ele, a cronologia das dificuldades econômicas russas confirma isso. “As sanções foram impostas há um ano, mas a queda da economia começou apenas no início de 2015, após a diminuição drástica dos preços do petróleo. O impacto das sanções sobre diferentes setores da indústria russa foi diferente, pois o governo conseguiu iniciar o processo de substituição de importações em vários setores da economia” disse Bessonov,

A economia russa também foi afetada pelo aumento da taxa básica de juros e pelo encarecimento dos empréstimos no país. No final de 2014, devido à queda drástica da moeda russa em relação ao dólar, o Banco Central elevou a taxa básica de juros de 9,5% para 17%. A intenção era congelar a concessão de empréstimos e diminuir a demanda por moedas estrangeiras. O processo inverso foi iniciado em março deste ano a fim de brecar a inflação.

A pesquisa dos analistas do Banco Central descreve o modelo da dinâmica do PIB após a introdução das sanções financeiras no terceiro trimestre de 2014 e após a queda dos preços do petróleo de US$ 110 para até US$ 50 por barril. O modelo utilizado pelos autores é baseado no trabalho de um dos fundadores da escola de Chicago, Arnold Harberger, e Carlos Wei, da Universidade Johns Hopkins.

Os autores defendem a hipótese de que dentro de cinco anos o acesso ao capital no mercado externo se tornará completamente impossível, o que redefinirá a dívida externa privada russa até 2019. De acordo com os cálculos, a economia russa vai voltar ao crescimento de 1,5% em 2017.

O chefe de operações da empresa de investimentos Freedom Finance, Gueôrgui Váschenko, também acredita que o principal fator da recessão é a inflação causada pela queda do rublo, que por sua vez acontece devido à redução dos preços do petróleo e à recusa do Banco Central de apoiar a moeda nacional.

Para o diretor do departamento de avaliação econômica da empresa Finexpertiza, Aleksêi Baskakov, a situação atual é benéfica para os exportadores de petróleo, que recebem os rendimentos em moeda estrangeira. No entanto, a maioria dos setores sofre com a desvalorização da moeda nacional.

"Trabalhamos com quase todos os setores da economia e hoje não vemos qualquer grande transformação estrutural positiva da indústria, exceto, talvez, os projetos de substituição de importações, apoiados pelos bancos estatais", conclui Baskakov.

 

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