Novas sanções estimulam programa de substituição de importações

Subsidiárias da petrolífera estatal Rosneft estão entre empresas sancionadas pelos EUA

Subsidiárias da petrolífera estatal Rosneft estão entre empresas sancionadas pelos EUA

Reuters
Apesar do impacto na economia, medidas impostas pelos EUA devem contribuir para reformas estruturais.

Em vigor desde o final de julho, as novas sanções norte-americanas contra a Rússia impõem restrições a 11 indivíduos e 15 entidades jurídicas russas que estariam supostamente envolvidas em esquemas para contornar as sanções anteriores. No entanto, os observadores russos acreditam que a decisão pode até trazer benefícios para o país, como a substituição de importações.

Para Konstantin Koríschenko, da Academia Presidencial da Economia Nacional e Administração Pública da Rússia, ao dificultar o acesso a recursos, tecnologias e bancos ocidentais, as medidas acabam “prestando um serviço” para a Rússia, que é forçada a tomar decisões difíceis.

“A reorientação à China e a busca ativa de substituições de importações têm um efeito negativo sobre a economia atual, mas, em médio prazo, ajudarão a realizar reformas estruturais”, conclui Koríschenko.

O especialista acredita ainda que as sanções têm mais cunho político do que econômico. “Podem estar relacionadas com a decisão da Rússia de vetar a proposta de criação de um tribunal internacional para julgar os suspeitos de derrubar o avião da Malaysia Airlines em 2014”, sugere.

Segundo o governo norte-americano, as empresas russas que foram anteriormente incluídas na lista negra dos EUA estariam usando suas subsidiárias para se esquivar das medidas.

Entre os nomes da lista estão parentes e parceiros de negócios de Guennádi Tímchenko e Boris Rotenberg, amigos próximos do presidente russo Vladímir Pútin.

As novas restrições afetam também subsidiárias da estatal Rosneft e o VEB Capital, subdivisão do Vnesheconombank e um dos investidores na construção do gasoduto Turkish Stream, que fornecerá gás russo à Grécia.

As empresas norte-americanas ficam proibidas de realizar qualquer tipo de negociação com os membros da chamada “lista negra”, cujos bens no território dos EUA permanecem congelados.

“A decisão dos Estados Unidos parece lógica, não podemos dizer que é inesperada”, diz o analista principal da holding de investimentos Finam, Anton Soroko.

“A introdução das novas sanções mostra que as relações entre os dois países não vão melhorar no futuro próximo, mas não creio que a nova lista negra terá um grande impacto sobre a economia russa”, acrescenta.

 

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