Banco Central reduz taxa básica de juros

Diminuição de custos de empréstimos a empresas promete reaquecer economia

Diminuição de custos de empréstimos a empresas promete reaquecer economia

AP
O Banco Central da Rússia rebaixou a taxa básica de juros em meio ponto percentual para 11%. Embora o objetivo seja melhorar o clima de investimento no país, mas, de acordo com especialistas, medida pode acelerar inflação, que já acumula quase 16% desde o início do ano.

Na tentativa de melhorar o clima de investimentos no país, o Banco Central da Rússia reduziu a taxa básica de juros de 11,5% para 11% na sexta-feira passada (31). Com a medida, aposta-se na diminuição de custos de empréstimos para empresas e consequente movimentação da economia.

Paralelamente, a redução da taxa tende a estimular o crescimento da inflação, que, em julho, era de 15%, e leva à desvalorização da moeda nacional.

“O balanço de riscos ainda está inclinado para um arrefecimento significativo da economia, apesar de aumento dos riscos inflacionários”,  diz o relatório do Banco Central.

Para o ex-vice-presidente do Banco Central, Konstantin Korischenko, a decisão de diminuir a taxa básica de juros nada mais é que um “compromisso” assumido pelo governo.

“O risco de desvalorização do rublo e a inflação não permitem rebaixar a taxa ainda mais. Mas a desaceleração da economia russa exige barateamento de empréstimos”, diz Korischenko.

O analista da empresa de investimentos UFS IC, Aleksêi Kozlov, acredita que a redução da taxa deve atenuar a política monetária, mas alerta para a necessidade de estimular o crescimento econômico e manter a estabilidade do rublo.

No final de 2014, devido à queda drástica da moeda russa em relação ao dólar, o Banco Central elevou a taxa básica de juros de 9,5% até 17%. A intenção era congelar a concessão de empréstimos e diminuir a demanda por moedas estrangeiras.

O processo inverso foi iniciado em março deste ano a fim de brecar a inflação.

“Mas a taxa de inflação anual ainda está em um nível elevado, enquanto o PIB continua a cair. Além disso, os preços do petróleo estão em um nível muito baixo, comercializados a US$ 52,5 por barril”, diz o analista da holding de investimentos Finam, Anton Soroko.

Daqui em diante, a dinâmica da economia russa dependerá, segundo os especialistas, da variação dos preços do petróleo, que determinam a estabilidade do rublo.

“A influência dos preços do petróleo, a guerra das sanções e a falta de reservas na economia não permitem alterar as tendências atuais no crescimento de inflação e na desvalorização do rublo”, diz Korischenko.

Espera-se que, até o fim do ano, a taxa básica de juros caia para 8,5% a 9,5%.

 

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