Brasil ampliará venda de lácteos para o mercado russo

Ministra da Agricultura brasileira, Kátia Abreu, participou de evento bilateral que aconteceu paralelamente à cúpula do Brics em Ufá Foto: twitter.com/katiaabreu

Ministra da Agricultura brasileira, Kátia Abreu, participou de evento bilateral que aconteceu paralelamente à cúpula do Brics em Ufá Foto: twitter.com/katiaabreu

Ministra da Agricultura, Kátia Abreu, anunciou aumento de exportações durante evento em Moscou nessa quarta-feira (8). Estreitamento de cooperação no setor alimentar se mostra vantajoso para ambos os países, sobretudo no contexto das sanções bilaterais impostas pela Rússia e da União Europeia.

Durante o seminário “Brasil-Rússia: perspectivas de cooperação no agronegócio e segurança alimentar”, que aconteceu nessa quarta-feira (8) em Moscou, a ministra da Agricultura do Brasil, Kátia Abreu, anunciou que o país irá iniciar a exportação em grande escala de produtos lácteos para a Rússia. Em contrapartida, a Rússia vai começar a fornecer peixe, especialmente bacalhau, ao Brasil.

Segundo a ministra, o fornecimento de leite ao mercado russo será vantajoso para ambas as partes, uma vez que a produção atual de produtos lácteos no Brasil supera o consumo interno. Abreu destacou ainda que os setores agroindustriais dos países são muito dependentes um do outro: embora o Brasil exporte à Rússia grandes quantidades de alimento, é também um grande importador de fertilizantes russos.

“A Rússia tem uma posição geográfica extremamente favorável, e o Brasil, uma agricultura forte, orientada para a exportação”, disse a ministra, reforçando a necessidade de criar joint ventures e cadeias agrícolas para obter acesso a mercados de outros países, sobretudo no sul e sudeste asiático, “onde está concentrada mais de 50% da população mundial”.

Em discurso durante o evento, o vice-presidente da Câmara de Comércio e Indústria da Rússia (CCI), Vadim Tchubarov, reforçou o papel do Brasil nas importações de fertilizantes agrícolas e se referiu ao país como um “parceiro estratégico de Moscou”. “O Brasil responde por 35% do comércio da Rússia com a América Latina e é receptor de 80% das exportações russas de fertilizantes agrícolas”, declarou.

Tchubarov falou ainda sobre as perspectivas dos principais itens das exportações brasileiras para a Rússia – carnes, soja e  café – e elogiou os produtores do Brasil por “aproveitarem com inteligência o agravamento das relações da Rússia com os países do Ocidente”.

Apesar de o Brasil ter aumentado o abastecimento de alimentos para a Rússia em 2014 e no primeiro semestre deste ano, o vice-presidente da CCI garantiu que o limite de trocas comerciais entre os países ainda não foi atingido e incitou o empresariado brasileiro a criar empresas conjuntas e estimular o intercâmbio de tecnologias agrícolas de ponta.

Além de Tchubarov e Abreu, também discursaram no seminário líderes de três grandes associações de produtores e importadores do Brasil: Antônio Jorge Camardelli, da Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carnes, Francisco Turra, da Associação Brasileira de Proteína Animal, e Gustavo Beduschi, da Associação Brasileira de Laticínios.

“Nós, funcionários do Estado, podemos apenas criar as condições para o desenvolvimento, mas a locomotiva desse desenvolvimento é o negócio”, concluiu Aleksêi Alekseenko, vice-diretor do Rosselkhoznadzor (Serviço Federal de Vigilância Veterinária e Fitossanitária da Rússia), ao final do evento. Alekseenko aproveitou o ensejo para convidar as empresas brasileiras a participar da próxima World Food Moscow, que será realizada na capital entre os dias 14 e 17 de setembro.

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