Ignorado por políticos ocidentais, Spief-2015 expõe força de comércio com a China

Quase 10 mil empresários de 115 países visitaram o fórum em São Petersburgo Foto: TASS

Quase 10 mil empresários de 115 países visitaram o fórum em São Petersburgo Foto: TASS

Acordos selados com chineses desde o início do ano já ultrapassam US$ 1 bilhão. Apesar da ausência de autoridades norte-americanas e europeias, executivos de grandes corporações internacionais marcaram presença no evento.

Os economistas russos garantem que, apesar do esfriamento das relações políticas do país com os Estados Unidos e a União Europeia, o Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo (Spief, na sigla em inglês), realizado entre 18 e 20 de junho, conseguiu atingir o objetivo de fortalecer as relações comerciais com parceiros ocidentais.

Quase 10 mil empresários de 115 países visitaram o evento, que resultou na assinatura de 205 memorandos, acordos e contratos, no valor total de US$ 5,4 bilhões. “Mesmo assim, não podemos ignorar o evidente isolamento da Rússia”, diz professor de Finanças da Academia Presidencial da Economia Nacional e da Administração Pública da Rússia, Maksim Safonov.

Já o analista principal da empresa de investimentos UFS IC, Iliá Balákirev, acredita que, apesar das sanções financeiras, os investidores estrangeiros não perderam o interesse na Rússia. “O fórum enfatizou a separação do país e a consolidação do status quo como a nova realidade da política e economia externa da Rússia”, afirma Balákirev.

Isolamento político

Para o analista da holding de investimentos Finam, Timur Nigmatúllin, os resultados do Spief-2015 são controversos. Embora o fórum tenha contado com a presença de chefes de grandes corporações internacionais, como o fundador do grupo Alibaba, Jack Ma, o presidente da Shell, Ben van Beurden e o diretor-geral da BP, Robert Dudley, além do primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, os líderes de outros países ocidentais se recusaram de participar do encontro.

“Para efeito de comparação, em 2013, o Spief teve a presença da chanceler alemã Angela Merkel, e, em 2010, o então presidente francês, Nicolas Sarkozy, esteve em São Petersburgo”, afirma Nigmatúllin. “Além disso, na semana passada, a União Europeia renovou as sanções contra a Rússia.”

A situação da Grécia é diferente dos demais países europeus, porque “eles precisam obter qualquer financiamento”, sugere Balákirev, da UFS IC. Recentemente, as partes assinaram um acordo de financiamento para a construção do oleoduto turco que ligará a Rússia ao sul da Europa, o que renderá à Grécia um empréstimo no valor de US$ 2,25 bilhões.

China em peso

O valor total dos contratos assinados na Spief-2015 é menor que na edição do ano passado. “No entanto, eventos como Spief ajudam a compensar o declínio na atividade econômica”, afirma Nigmatúllin.

O maior número de contratos – 29 acordos – foi assinado entre os representantes russos e chineses. “A Rússia está totalmente preparada para receber investimentos chineses, enquanto a China pretende construir centros de logística, desenvolver comércio eletrônico e aumentar a capacidade produtiva com a ajuda dos russos”, declarou o vice-primeiro-ministro russo, Ígor Chuvalov, acrescentando que os acordos selados com a China desde o início do 2015 já ultrapassam a marca de US$ 1 trilhão.

 

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