Rússia e China assinam quantidade recorde de acordos

Líder chinês Xi Jinping (à esq.) encontrou-se com Pútin durante as celebrações do Dia da Vitória em Moscou Foto: Konstantin Zavrájin/RG

Líder chinês Xi Jinping (à esq.) encontrou-se com Pútin durante as celebrações do Dia da Vitória em Moscou Foto: Konstantin Zavrájin/RG

Durante a visita oficial do presidente Xi Jinping a Moscou, bancos chineses assinaram acordos para financiamento de projetos russos. Paralelamente, as empresas russas se mostraram prontas a aumentar o fornecimento de gás e as vendas de aviões civis da Sukhôi para a China. No entanto, alguns especialistas alertam que os novos contratos aumentam a dependência das empresas russas em relação ao capital chinês.

Durante a visita oficial do líder chinês Xi Jinping para Moscou, as empresas russas assinaram grandes contratos com parceiros chineses. “Os dois países pretendem fortalecer a cooperação na área financeira, com maior utilização do rublo e do yuan em acordos bilaterais”, declarou o presidente russo, Vladímir Pútin, durante uma reunião oficial com seu homólogo chinês.

Nos primeiros dois meses de 2015, a participação das moedas nacionais em contratos bilaterais ultrapassou os 7%. Segundo os economistas, esses acordos são especialmente importantes para a Rússia nas condições da ausência de capital ocidental devido às sanções financeiras.

No entanto, os especialistas alertam que os novos contratos aumentam a dependência das empresas russas em relação ao capital chinês. “A China já é a maior economia do mundo em paridade de poder aquisitivo do PIB. Mas a Rússia sempre tenta desenvolver relações em condições de paridade”, diz o analista da empresa de investimentos UFS IC, Iliá Balákirev.

De acordo com o analista da holding de investimentos Finam, Anton Soroko, a expansão da cooperação entre a Rússia e a China é um passo forçado, embora lógico e mutuamente benéfico. “Essa convergência acontece devido às mudanças na arena política mundial e ao desejo dos dois países de ter uma maior influência sobre os processos globais.”

Principais projetos

O Sberbank, maior banco estatal da Rússia, abriu uma linha de crédito no Banco de Desenvolvimento da China no valor de 6 bilhões de yuans (US$ 965 milhões). O dinheiro será gasto na modernização da empresa “Eurocement”, maior produtora de cimento do país.

Paralelamente, o segundo maior banco estatal da Rússia, VTB, assinou um acordo com o Banco de Exportação e Importação da China para a abertura de uma linha de crédito de 3 bilhões de yuans (US$ 480 milhões), enquanto o banco Vnesheconombank recebeu 3,9 bilhões de yuans (US$ 628 milhões) para a fabricação de aços especiais.

Enquanto isso, o diretor-geral da petrolífera russa Gazprom, Aleksêi Miller, e o vice-presidente petrolífera chinesa CNPC, Wang Dongjin, assinaram um acordo para o fornecimento de gás russo para a China através do gasoduto Altaí. O contrato prevê o fornecimento de 30 bilhões de metros cúbicos de gás ao longo de um período de 30 anos.

Além disso, a Corporação Unida de Construção Aeronáutica (OAK, na sigla em russo) planeja fornecer 100 aviões civis Sukhôi SuperJet-100 para a China durante os próximos três anos. Cada avião custará US$ 36 milhões.

Em contrapartida, as autoridades chinesas prometeram investir 300 bilhões de rublos (US$ 5,9 bilhões) na construção de uma linha ferroviária de alta velocidade que ligará Moscou a Kazan. A linha, com 770 km de comprimento, deverá reduzir o tempo de viagem entre as duas cidades de 11,5 até 3,5 horas.

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