Fornecimento de gás à Crimeia recai sobre orçamento federal

Investidores privados fugiram de projeto de usinas com receio de serem incluídos em sanções ocidentais Foto: Taras Litvinenko/RIA Nóvosti

Investidores privados fugiram de projeto de usinas com receio de serem incluídos em sanções ocidentais Foto: Taras Litvinenko/RIA Nóvosti

Autoridades russas não conseguiram encontrar investidores para a construção de gasoduto na Crimeia e vão recorrer ao orçamento federal. Além disso, o governo planeja construir uma “ponte de energia submarina”. Mas será que essas medidas resolverão o problema da dependência energética da Crimeia? Especialistas acreditam que não.

Em abril passado, o Ministério da Crimeia declarou que precisa de US$ 50 milhões do orçamento federal para a construção de um gasoduto que vai ligar a península ao território de Krasnodar, no sul da Rússia. Anteriormente, as autoridades planejavam atrair investidores privados para financiar o projeto.

“A construção de um gasoduto na Crimeia é, certamente, um projeto que poderia resolver a maioria dos problemas energéticos da península”, diz Ivan Kapitonov, professor associado da Academia Presidencial da Economia Nacional e da Administração Pública da Rússia.

Porém, segundo ele, as empresas que participarão da construção do gasoduto poderão ser incluídas na lista das sanções ocidentais. “Por isso o governo não conseguiu encontrar potenciais investidores”, acrescenta Kapitonov.

O plano de construção de usinas termelétricas no território da Crimeia, adotado pelo Ministério da Energia da Rússia, prevê que as usinas utilizem novos volumes de gás, com capacidade total de 700 MW.

O gás será fornecido da região de Krasnodar, onde começa a parte subaquática do “Turkish Stream”, que levará gás russo à Turquia e ao sul da Europa. Assim, a potência do gasoduto na Crimeia deverá ultrapassar 2 bilhões de metros cúbicos por ano.

Soluções alternativas

Atualmente, a Crimeia consome gás de produção própria. A empresa “Tchemorneftegaz”, localizada na península, produz 1,9 bilhão de metros cúbicos de gás por ano, mas essa capacidade não é suficiente.

De acordo com Kapitonov, energias eólica e geotérmica seriam capazes de substituir as fontes de energia tradicionais na região, que possui clima ameno. “É necessário calcular e comparar a rentabilidade econômica do gasoduto com a das fontes de energia alternativas”, diz.

Além disso, em março de 2014, foi assinado o contrato para a construção de uma “ponte de energia submarina” para a Crimeia, que custará cerca de US$ 97,9 milhões. Apesar das sanções ocidentais, a ponte será construída pela empresa chinesa Jiangsu Hengtong HV Power System (HTGD). A primeira fase do projeto, que permitirá transferir 350-400 MW para a Crimeia, deverá começar a funcionar no final de 2015. 

Todos os direitos reservados por Rossiyskaya Gazeta.