Rússia garante participação em novo banco de investimentos asiático

A participação da Rússia nesse projeto poderá resultar em vários privilégios Foto: AP

A participação da Rússia nesse projeto poderá resultar em vários privilégios Foto: AP

Criado por iniciativa da China, Banco Asiático de Investimentos em Infraestrutura pode se tornar mais uma ferramenta de acesso ao mercado oriental. Governo brasileiro também aceitou o convite da China para participar da instituição.

O primeiro vice-primeiro-ministro da Rússia, Ígor Chuvalov, declarou que o país candidatou-se para participar do capital do Banco Asiático de Investimentos em Infraestrutura (AIIB, na sigla em inglês).

“A participação da Rússia nesse projeto poderá resultar em vários privilégios, incluindo o financiamento preferencial de projetos, e permitirá participar da gestão do banco”, explica Serguêi Fomin, diretor do departamento jurídico da empresa de investimentos UFS IC.

Segundo ele, isso permitiria posicionar a Rússia não apenas como uma potência militar, mas também um Estado economicamente forte.

Inicialmente, o capital autorizado do banco será de US$ 100 bilhões. Mas este valor deve aumentar à medida que atrair fundos privados dos investidores asiáticos. “Assim, o banco poderá se tornar uma instituição de peso no âmbito do sistema financeiro asiático”, diz Fomin.

De acordo com as estimativas do Banco Asiático de Desenvolvimento (ADB, na sigla em inglês), até 2020, a Ásia precisará de cerca de US$ 800 bilhões de investimentos nos projetos de infraestrutura. O próprio ADB planeja investir apenas US$ 10 bilhões por ano nesses projetos.

Na sexta-feira passada (27), o governo brasileiro confirmou ter aceito o convite da China, que será o principal contribuinte da nova instituição financeira asiática.

Regras do Banco

Diversos países e agentes econômicos devem apostar no novo banco asiático. Quase 30 países, incluindo Cingapura, Índia, Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Suíça, Luxemburgo, Austrália e Holanda, já confirmaram suas intenções de participar da nova instituição financeira. Porém, de acordo com o economista russo Serguêi Khestanov, será difícil criar um contrapeso global para as instituições financeiras ocidentais. “A China tem laços econômicos muito estreitos com os Estados Unidos. Nessa condições é possível criar uma nova estrutura financeira, mas não haverá nenhum confronto com as instituições ocidentais”, afirma Khestanov.

Concorrência entre bancos

Nos últimos tempos, Moscou também confirmou sua participação no Banco de Desenvolvimento do Brics, que, segundo os especialistas russos, é bastante semelhante ao AIIB. “Ambos os projetos estão em fase inicial, e a Rússia vai se concentrar no desenvolvimento da instituição mais bem sucedida”, diz Khestanov.

Apesar de os bancos terem uma estrutura similar, o diretor do departamento de análise do Deutsche Bank, Iaroslav Lissovólik, ressalta a importância de a Rússia participar de projetos institucionais como o AIIB.

“É mais uma ferramenta para reforçar a integração da economia russa na Ásia, que é uma região muito importante. Esse projeto ajudará não apenas a receber recursos financeiros em curto prazo, mas também a se aproximar da Ásia na área de investimentos”, sugere Lissovólik.

Ainda de acordo com os especialistas, a criação do AIIB e do Banco do Brics mostra que a economia mundial exige uma alternativa ao Fundo Monetário Internacional e ao Banco Mundial. “Essas instituições seguirão o caminho da coordenação, e não da concorrência”, diz Lissovolik.

 

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