Brics apostam em agricultura para fomentar parcerias econômicas

Cada um dos membros é atualmente responsável por certa área da cooperação agrícola Foto: Press Photo

Cada um dos membros é atualmente responsável por certa área da cooperação agrícola Foto: Press Photo

Setor estratégico do grupo, agronegócio vem ganhando vários projetos conjuntos entre os membros. Na América Latina, Brasil é o principal fornecedor de produtos agrícolas e alimentícios para o mercado russo.

Em meados de março, os ministros da Agricultura dos países do Brics se reuniram em Brasília para discutir novas maneiras de aumentar investimentos mútuos e reforçar a integração do bloco.

“A agricultura é um dos setores estratégicos do Brics, do qual depende em grande parte a estabilidade e qualidade da vida da população”, afirma Iliá Chestakov, vice-ministro da Agricultura da Rússia.

“Os países do Brics têm um potencial significativo para expandir a cooperação econômica e comercial, aumentar os investimentos e lançar projetos de grande escala na área da agricultura”, acrescenta o vice-ministro.

Prova disso é que, durante a recente reunião ministerial, foi aprovada a cooperação entre os membros nas áreas de criação de plantações de cereais, fruticultura em latitudes temperadas, e controle veterinário e fitossanitário.

Divisão de tarefas

Cada um dos membros é atualmente responsável por certa área da cooperação agrícola. Enquanto o Brasil está encarregado da alimentação para populações vulneráveis, a China assumiu a responsabilidade pela criação de um banco de dados de informações sobre os mercados agrícolas, e a Índia é responsável por Tecnologia e Inovação.

Já a Rússia permanece focado em comércio e desenvolvimento de investimentos, e a África do Sul vem realizando estudos sobre o impacto das alterações climáticas na área agrícola.

“Cada país apresentará seus projetos de investimento e de negócios no setor agrícola. Até agora, do volume total de investimentos dos Brics, apenas 5% vai para o setor agrícola. Não é suficiente. Essa área precisa ser mais desenvolvida”, aponta Chestakov.

“Não temos controvérsias nos mercados mundiais de produtos agrícolas. Cada país tem sua própria área de responsabilidade e os investimentos mútuos poderão fortalecer não só o setor agrícola, mas também a cooperação entre os países do grupo.”

Brasil e Rússia no campo

Entre os países da América Latina, o Brasil é o principal fornecedor de produtos agrícolas e alimentícios para o mercado russo. De acordo com o Serviço Federal Alfandegário da Rússia, o volume de produtos agrícolas brasileiro chegou a US$ 2,4 bilhões nos primeiros nove meses de 2014.

As importações provenientes do Brasil poderão crescer mais ainda, de acordo com comunicado do Ministério da Agricultura da Rússia, emitido após a reunião entre Chestakov e a chefe da Secretaria de Relações Internacionais do Agronegócio, Tatiana Palermo.

Os representantes dos dois países também discutiram as perspectivas de cooperação entre a empresa brasileira de pesquisa agropecuária Embrapa e o instituto de pesquisa da Rússia. O acordo de cooperação será selado durante a visita a Moscou da ministra da Agricultura do Brasil, Kátia Abreu, em abril.

União contra crise

Desde o começo deste ano houve uma série de reuniões ministeriais do Brics – muitas delas realizadas no Brasil, que atualmente preside o grupo.

Apesar da crise que afeta alguns membros do grupo, os analistas concordam que, se há dificuldades na economia, há ainda mais razão para cooperar.

“A crise deve ser aproveitada para encontrar oportunidades de desenvolvimento. Mesmo as sanções do Ocidente não podem ser superadas apenas com medidas econômicas. Para diminuir seu impacto, o papel do Brics é muito importante”, diz o chefe do Comitê Russo de Estudos sobre o Brics, Gueôrgui Toloraia.

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