Brasil, China e Índia não suprem mercado russo de carnes

Logística impediu importação de carne suína chinesa e preço, de bufalina indiana, enquanto importação de carne bovina brasileira caiu a nível recorde. Foto: Photoshot/Vostock-Photo

Logística impediu importação de carne suína chinesa e preço, de bufalina indiana, enquanto importação de carne bovina brasileira caiu a nível recorde. Foto: Photoshot/Vostock-Photo

Parceiros do Brics eram promessa para abastecer país após embargos, mas, segundo chefe do Serviço Fitossanitário da Rússia, não corresponderam às expectativas. Ao invés de crescer, exportação brasileira à Rússia caiu ao menor nível desde 2005.

Em coletiva à imprensa na sexta-feira passada (13), o chefe do Serviço Fitossanitário da Rússia, Serguêi Dankvert, anunciou que China e Índia não estão conseguindo suprir a demanda russa de carne.

A Rússia acreditava que seus parceiros no Brics seriam capazes de fornecer o volume necessário do produto após o embargo contra países que impuseram sanções à Rússia, mas essas esperanças, segundo Dankvert, ainda não se realizaram.   

Dankvert afirmou ainda que, em relação à Índia, surgiram discordâncias internas sobre a carne de búfalo, cujos preços no país são superiores aos pedidos no Brasil.

Quatro frigoríficos indianos foram certificados para enviar esse tipo de carne à Rússia.

"A Federação da Rússia ainda não recebeu a carne bufalina, mas a primeira parte já está pronta para ser expedida", lê-se em comunicado do serviço fitossanitário russo.

Ainda segundo o chefe do Serviço Fitossanitário da Rússia, a China enviou ao país 3,3 mil toneladas de carne suína até o final de 2014. Agora, porém, as exportações estão paradas devido a dificuldades logísticas no envio do produto.

"Seja qual for o problema, a China é um parceiro importante, tanto como importador, quanto como exportador de produtos agrícolas", disse Dankvert.

Após 10 anos de proibição, hoje duas companhias chinesas produtoras de carne suína têm direito de exportar à Rússia sob controle estrito dos veterinários russos.

Carne brasileira em queda, apesar de embargos

Em agosto do ano passado, a Rússia impôs restrições às importações de carne e derivados, leite e laticínios, peixes e derivados, além de verduras e frutas dos EUA, União Europeia, Canadá, Austrália e Noruega como resposta às sanções impostas por esses ao país para pressioná-lo em relação aos eventos ucranianos.

As medidas resultaram em uma queda de 47,2% nas importações de carne (848,5 mil toneladas), de acordo com dados do Ministério da Agricultura da Rússia.

Os produtos mais afetados foram as carnes suínas e de aves, cujas importações caíram 72,7% (450,8 mil toneladas) e 64,8% (338,7 mil toneladas), respectivamente.

Parte da demanda foi compensada pela produção interna e por importações de países que não foram embargados.

Mas a importação de carne bovina do Brasil, que se destacava como uma das promessas para suprir a demanda, caiu em 56%, o menor nível desde 2005.

A queda aconteceu apesar da aprovação russa, às pressas, de 87 frigoríficos brasileiros após o embargo.

Petróleo e carne

A agência financeira Bloomberg destaca que a compra de carne por países produtores de petróleo em geral caiu muito.

Há apenas um ano, as vendas de carne brasileira para Rússia, Venezuela e Irã chegou a 50% do total exportado pelo Brasil. Agora, sua fatia chega aos 25%.

Nos primeiros meses de 2015, a exportação geral de carne bovina brasileira caiu em 31%.

A carne bovina e os queijos foram os produtos que tiveram maior aumento de preços entre carnes e laticínios, de acordo com análises de preços do Ministério da Agricultura da Federação da Rússia.  

Segundo dados da pasta, no mês passado os preços de carne bovina subiram em 11,2%, em relação a agosto de 2014.

De janeiro a setembro do ano passado, a Rússia comprou 290 mil toneladas de carne bovina, somando quase 1,22 bilhões de dólares.

Desse total, a Rússia foi responsável pela importação de 1,18 bilhões de dólares em carne bovina congelada, segundo dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil. O valor representa 18,5% mais que no mesmo período em 2013.

Já as importações russas de carne bovina fresca e resfriada desossada entre janeiro e setembro de 2014 caíram devido aos preços mais altos dessa categoria de produtos.

No total, a importação de carne bovina à Rússia caiu aproximadamente 53% em relação ao dia 2 de março de 2014, a carne suína, 72%, e de aves, 68%,  chegando às 10,33 mil toneladas, 16,15 mil toneladas e 13,16 mil toneladas, respectivamente.

Em comunicado do Serviço Fitossanitário da Rússia, lê-se que "a Rússia, de 1 de janeiro a 2 de março deste ano, diminuiu sua importação de carne (exceto no comércio com a Bielorrússia e com o Cazaquistão) em 68%, chegando às 52,9 mil toneladas".

Apesar disso, o Serviço Alfandegário Federal informou o valor gasto em fevereiro na importação de carnes e derivados dobrou, e de laticínios subiu 73%.

Preços continuam a subir

De acordo com dados de 2 de março, o preço de varejo da carne bovina no país subiu 9,1% desde o início do ano, e 0,3% na semana, chegando aos 301,42 rublos (quase 5 dólares) por quilo.

O impulso nos preços da carne suína foi menor, somando 0,7% em dois meses e caindo 0,1 % na semana, alcançando os 276,08 rublos (US$ 4,41) por quilo.

Já a carne de aves subiu 2,1% desde o início do ano e caiu em 0,1% na semana, chegando aos 139,67 rublos (US$ 2,23) por quilo.

As importações de laticínios também apresentaram queda nos dois primeiros meses deste ano na Rússia. Até 2 de março, o leite em pó caiu 80,4%, o queijo, 90,6%, e a manteiga, 87,3%, chegando, respectivamente, às 1,2 mil toneladas, 4,4 mil toneladas e 2,8 mil toneladas.

A média de preços a varejo do leite em 2 de março subiu 4,6% desde o início do ano e 0,2% na semana, do queijo, 9,4% e 0,4%, e da manteiga, 6,8% e 0,3%, chegando aos 46,01 rublos por litro (US$ 0,75), 432,69 rublos (US$7,05) por quilo, e 385,81 rublos (US$ 6,29) por quilo, respectivamente.

 

Material publicado originalmente no portal Profi-Forex.Org

 

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