Crise ucraniana trava recuperação econômica da Rússia

Governo anunciou que incluirá propostas de economistas independentes no plano anticrise Foto: AP

Governo anunciou que incluirá propostas de economistas independentes no plano anticrise Foto: AP

Guerra de informação está afastando investimentos e prejudicando clima de negócios no país.

Durante o Fórum Econômico de Krasnoiarsk, realizado no final de fevereiro, o reitor da Faculdade de Economia da Universidade Estatal de Moscou, Aleksandr Auzan, declarou que a crise na Ucrânia está impedindo a melhoria do clima de investimentos na Rússia.

Segundo Auzan, as principais causas da atual crise financeira não são as sanções ocidentais ou a desvalorização do rublo, mas o esgotamento do conceito de crescimento econômico baseado na exportação de matérias-primas e no crescimento da demanda.

“Em 2011, o volume de investimento começou a cair, e o motor de desenvolvimento começou a desacelerar”, disse Auzan. Na opinião do economista, o Estado tem que melhorar o clima de negócios no país ou regular o mercado, impor restrições sobre a circulação das moedas e, em seguida, investir em infraestrutura.

“Mas para melhorar o clima de investimento, é necessário, antes de tudo, acabar o conflito em Donbass. É impossível atrair investimentos nas condições da guerra de informação”, disse Auzan, acrescentando, porém, que governo deve provavelmente escolher um cenário de inércia devido ao futuro aumento dos preços do petróleo.

Recentemente, o primeiro vice-primeiro-ministro russo Arkádi Dvorkôvitch anunciou que o governo incluirá as propostas de economistas independentes no plano anticrise.

“A primeira parte do plano é destinada a ajudar as empresas a superar as consequências imediatas da crise”, declarou. “A segunda parte prevê transformações estruturais na economia. Precisamos combater a inflação, otimizar os gastos orçamentais e investir em infraestrutura”, completou Dvorkôvitch.

Crise ou crises?

De acordo com o diretor da Escola de Administração de Skôlkovo, Andrêi Charonov, a economia russa é afetada por dois exemplos opostos: ocidental (anglo-saxão) e oriental (China e Coreia do Sul).

“A Rússia não consegue aplicar do modelo ocidental por causa da falta da atividade e responsabilidade civil. O modelo oriental também não serve para o país devido à pouca rigidez do Estado”, diz Charonov.

O reitor da Academia Presidencial da Economia Nacional e da Administração Pública da Rússia, Vladímir Mau, acredita, no entanto, que o país está sendo afetado por várias crises.

“Em primeiro lugar, há uma crise na estrutura global, que provoca mudanças profundas nas economias e no curso político de países desenvolvidos. Também há uma crise do modelo de crescimento econômico da Rússia dos anos 2000, que se baseou no aumento da demanda e do consumo”, explica Mau.

Todos os direitos reservados por Rossiyskaya Gazeta.