Governo doará terras para moradores do Extremo Oriente

A expectativa é que, caso implantado com sucesso, o projeto de Trutnev favoreça o afluxo de pessoas em terras não utilizadas Foto: Aleksandr Lískin/RIA Nóvosti

A expectativa é que, caso implantado com sucesso, o projeto de Trutnev favoreça o afluxo de pessoas em terras não utilizadas Foto: Aleksandr Lískin/RIA Nóvosti

Iniciativa visa a estimular produção em terras ociosas e potencializar o desenvolvimento de novas regiões no país. Especialistas alegam que o projeto pode até ser viável, mas requer investimento em infraestrutura e organização complexa dos meios para produção local.

De acordo com o projeto apresentado por Iúri Trutnev, representante plenipotenciário do presidente no Distrito Federal do Extremo Oriente, todo russo que tiver interesse em explorar o potencial agrícola da região receberá um hectare de terra no Extremo Oriente do país. Atualmente, o Estado detém 614 milhões de hectares no Extremo Oriente, dos quais 90% são ociosos.

Os fazendeiros locais já estão se planejando para ajudar os novos proprietários de terras a ganhar dinheiro com a agricultura. Em troca de metade da colheita, pretendem oferecer equipamentos e fornecer sementes, além da possibilidade de se juntar a propriedades agrícolas de maior porte.

O ministro regional do Desenvolvimento, Aleksandr Galuchka, também aposta no “talento empreendedor” dos conterrâneos. “Até recebemos uma solicitação do Reino Unido. Nossa compatriota que vive lá há mais de 20 anos quer se mudar para a Rússia junto com o marido inglês. Eles estão dispostos a começar aqui o seu negócio de família”, contou Galuchka ao jornal “Rossiyskaya Gazeta”. “No campo do turismo, pois têm experiência e recursos para esse tipo de startup. Além do mais, irão focar em clientes estrangeiros.”

A expectativa é que, caso implantado com sucesso, o projeto de Trutnev favoreça o afluxo de pessoas em terras não utilizadas. Porém, cabe lembrar que a região é bastante extensa e parte significativa dos territórios é coberta por permafrost – tipo de solo encontrado na região do Ártico constituído por gelo, terra e rochas permanentemente congelados.

No Território de Khabarovsk, por exemplo, as terras destinadas à agricultura ocupam uma área de 90 mil hectares, mas quase todas já têm produção. Desde 2012, 10 hectares de terra foram fornecidos gratuitamente aos fazendeiros locais, mas as terras para complementar essa área devem ser compradas.

Hoje, esse território supre 20% de suas necessidades de carne e leite e 100% da demanda de batata e ovos de galinha. Todo o resto vem de fora.

Falta de infraestrutura e alto custo

O vice-diretor do Instituto do Extremo Oriente, Andrêi Ostróvski, mantém ressalvas sobre a iniciativa e alerta: não haverá qualquer desenvolvimento dos territórios orientais se não for criada infraestrutura. “Ao contrário dos territórios adjacentes - China, Coréia e Japão, nós não temos qualquer infraestrutura nessas regiões”, afirma Ostróvski.

Segundo ele, é preciso aproveitar a experiência da China no que se refere ao estabelecimento de zonas econômicas livres. “É necessário garantir o acesso à água, eletricidade e estradas”, continua. “Se houver recursos para a infraestrutura, então, cada projeto deve ter um gestor responsável pela sua execução, inclusive com risco de perda de seus bens pessoais.”

Além da questão do transporte, a qualidade da terra e o gastos altos são outros pontos levantados por Dmítri Juravliov, diretor do Instituto de Problemas Regionais. “O Extremo Oriente é imenso, mas existem problemas: tirar alguém da Rússia Central, prometendo-lhe um hectare de terra, não é realista. A mudança terá custo alto, e o hectare acabará valendo menos do que a passagem”, diz. “Também há pouca terra própria para o cultivo lá.”

 

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