Kremlin busca novos parceiros para diversificar economia

Vice-premiê apoia criação de postos de trabalho em setores diversos Foto: TASS

Vice-premiê apoia criação de postos de trabalho em setores diversos Foto: TASS

Autoridades russas planejam aumentar cooperação com novos parceiros comerciais na região Ásia-Pacífico e na América Latina. Criação de postos de trabalho em setores diversos deve ser prioridade, segundo vice-premiê russo Arkádi Dvorkôvitch.

Durante o Fórum Econômico de Krasnoiarsk, realizado entre 26 e 28 de fevereiro, Dvorkôvitch reforçou que o Kremlin está em busca de novos parceiros comerciais na América Latina e na região Ásia-Pacífico. “Estamos abertos à cooperação com todos os investidores”, disse.

Hoje, os investidores chineses são os mais ativos no mercado russo devido ao tamanho e à economia do país vizinho. “No entanto, a Rússia considera todas as oportunidades das novas parcerias, inclusive com os países da América Latina”, acrescentou Dvorkôvitch. 

O vice-premiê anunciou ainda que o Kremlin está disposto a trabalhar com esses novos investidores em projetos de produção de matérias-primas, inclusive no desenvolvimento de novas jazidas. No entanto, o governo não pretende vender participações de controle nos projetos aos parceiros estrangeiros.

“Estamos prontos para trabalhar em pé de igualdade. Os parceiros chineses entendem que isso é mais confortável para a Rússia e concordam com nossos termos e condições”, declarou.

Dados do Ministério do Desenvolvimento Econômico revelam a existência de novas parcerias com empresas estrangeiras em diferentes setores da economia.

Recentemente, a empresa cingapuriana Olam investiu US$ 258 milhões em produção de leite na região de Penza, a 640 km a sudeste de Moscou). Outro caso de peso é de uma empresa chinesa que abriu uma fábrica de processamento de madeira na região de Tomsk (5.600 km a leste da capital), com investimento total de US$ 244 milhões.

Esses dois investidores já planejam aumentar a produção no país, criando mais de 5 mil novos postos de trabalho. “Temos que lutar por cada posto de trabalho que nos ajuda a diversificar a economia”, adicionou Voskresénski.

Balança entre Oriente e Ocidente

Segundo o vice-ministro de Desenvolvimento Econômico russo, Stanislav Voskressénski, apesar das declarações de Dvorkôvitch, não se pode falar em uma guinada total para a Ásia.

“O governo realiza um trabalho pragmático de promoção dos interesses russos na região Ásia-Pacífico, sem prejudicar as relações com os parceiros tradicionais na UE e nos EUA”, afirma.

“A China, de acordo com as estimativas do Fundo Monetário Internacional, é a maior economia do mundo, enquanto os países da Asean [Associação de Nações do Sudeste Asiático] são a sétima economia do mundo”, continua o vice-ministro.

No entanto, segundo Voskresénski, apenas 1% de todos os investimentos asiáticos estão na Rússia. “O problema é que os países asiáticos têm pouco conhecimento da economia russa. Estamos prontos para acompanhar os investidores estrangeiros, ajudá-los a superar os obstáculos burocráticos e resolver todos os problemas.”

Para Ekaterina Trofímova, membro do conselho do Gazprombank, embora a participação dos países asiáticos na indústria esteja crescendo, a Europa e os EUA continuam a ser os principais parceiros da Rússia no mercado financeiro.

“O euro e o dólar são moedas tradicionalmente importantes para o sistema financeiro russo. Mas as empresas russas estão prontas para realizar pagamentos mútuos em outras moedas, como, por exemplo, o yuan chinês”, diz Trofímova.

O “swap” cambial rublo-yuan ainda não é exigido pelos compradores, apesar das mudanças na política externa russa.

 

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