Gazprom propõe venda de gás à Europa através da Turquia

Comissão Europeia irá discutir a nova proposta da Gazprom Foto: Reuters

Comissão Europeia irá discutir a nova proposta da Gazprom Foto: Reuters

Até 2020, todo o trânsito de gás através da Ucrânia será descontinuado. Novo projeto deve substituir o South Stream, do qual o país resolveu desistir por causa de disputa com a Comissão Europeia.

No último dia 14, o presidente da Gazprom, Aleksêi Miller, anunciou que o fluxo de gás através do território ucraniano será interrompido por completo até 2020 e que os países europeus deverão começar a construir dutos que permitam a passagem dos 63 bilhões de metros cúbicos esperados pelo recém-abandonado South Stream.

A alternativa proposta é que o gás seja futuramente transportado pelo Turkish Stream, que passará pela Turquia. “Os europeus devem começar a construir os gasodutos hoje mesmo, ou esses volumes de gás poderão acabar em outros mercados”, disse Miller durante o anúncio.

O projeto anterior de fornecimento de gás à Europa contornando a Ucrânia era o South Stream. O gasoduto, com capacidade para 63 bilhões de metros cúbicos, seria construído através do mar Negro e deveria passar pelos territórios de Bulgária, Sérvia, Hungria, Áustria, Itália e Eslovênia.

A Rússia, entretanto, interrompeu a execução do South Stream em dezembro de 2014. O gasoduto foi então redirecionado para a Turquia e rebatizado de Turkish Stream. A razão oficial para brecar o projeto foi a posição da Bulgária, que congelou o projeto devido à não conformidade com as normas do Terceiro Pacote Energético da UE.

A mais recente rodada de negociações contou com a participação do vice-presidente da Comissão Europeia encarregado da energia, Maros Sefcovic. “Fiquei muito surpreso com este anúncio da Gazprom”, disse Sefcovic, acrescentando que a Comissão está disposta a discutir a nova proposta da Gazprom.

Nas mãos da UE

De acordo com o analista da UFS IC Iliá Balakirev, muitos países da UE ainda não acreditam que a desistência do South Stream seja para valer. “Durante muito tempo pareceu que isso era uma jogada inteligente para aumentar o valor do South Stream, mas, quanto mais o tempo passa, mais essa virada se parece real”, diz.

O especialistas acredita que a desistência do trânsito de gás através da Ucrânia parece “bastante plausível”, independentemente do projeto alternativo que venha a ser implementado, uma vez que os crescentes riscos econômicos se veem agora acrescidos de considerações políticas.

“Nenhuma das opções existentes de organização do trânsito através da Ucrânia consegue garantir o abastecimento ininterrupto para a Europa”, sugere Balakirev.

Para o analista da UK Finam Management Dmítri Baranov, a “Gazprom tem todo o direito de determinar a sua própria estratégia de desenvolvimento. Na verdade, foi precisamente isso que a empresa fez ao afirmar a necessidade de mudar uma das rotas de abastecimento tradicionais”.

Baranov lembrou que a empresa não se recusa a fornecer gás à Europa e vai cumprir rigorosamente todas as obrigações, mas tem o direito de recusar os serviços da Ucrânia como país de trânsito. “Com isso, a Gazprom propõe à Europa que participe da resolução do problema”, arremata o analista.

 

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