PIB baixo pode durar quatro anos, diz ex-ministro das Finanças

"A falência é uma medida extrema. Creio que é pouco provável" Foto: Reuters

"A falência é uma medida extrema. Creio que é pouco provável" Foto: Reuters

De acordo com o ex-ministro das Finanças da Rússia (2000-2011) e chefe do Comitê de Iniciativas Civis, Aleksêi Kúdrin, a queda do Produto Interno Bruto e a estagnação na Rússia podem se arrastar por anos.

Em entrevista à RBC, o ex-ministro das Finanças da Rússia (2000-2011) e chefe do Comitê de Iniciativas Civis, Aleksêi Kúdrin, confirmou que vários setores da economia russa estão sofrendo por causa das sanções ocidentais e falou sobre as perspectivas do crescimento do país nos próximos anos.

RBC - Quanto tempo vai durar a crise na Rússia?

Aleksêi Kúdrin – A crise será bastante longa, mas o período de estagnação, quando a taxa de crescimento econômico será entre -1% e 1% será ainda mais longo. Isso ocorre por causa da má estrutura econômica, que não atende aos desafios modernos, aos fracos estímulos de crescimento e a um sistema financeiro sobrecarregado de obrigações que não tem um coeficiente de segurança para aumentar os investimentos.

“Em 2015, o PIB russo diminuirá de 2% a 4%, dependendo do preço do petróleo.”

Além disso, as sanções ocidentais começaram a afetar a economia do país. Seria estranho esperar estímulos do exterior: a China, por exemplo, vai experimentar um abrandamento do crescimento econômico durante os próximos três a quatro anos. Se o governo não reformar a economia e não conseguir baixar o nível das sanções, teremos que esperar uma taxa de crescimento negativa ou baixa durante os próximos quatro anos, talvez mais.

“Os rendimentos reais da população diminuirão de 2,5% a 5%.”

Tenho a impressão de que em todos os níveis, incluindo o do chefe do Estado, não há avaliação objetiva dos desafios da Rússia. Eles pensam que durante os próximos dois a três  anos o Fundo de Reservas ajudará a salvar a situação e que depois a economia vai se recuperar no fundo de determinado ciclo. A redução das despesas públicas não afetará o setor de defesa ou social. O governo diminuirá o financiamento das áreas associadas com o aumento da economia: infraestrutura, educação e saúde. O governo até pode tomar certas medidas anticrise, que prolongarão a estagnação.

Como as sanções ocidentais afetam a economia russa?

As sanções são para muito tempo. Falei muito com vários empresários e eles acreditam que as sanções poderão ser canceladas apenas após a resolução do problema em torno da Crimeia. Se os países ocidentais cancelarem as sanções, isso significaria que eles reconhecem o status atual da Crimeia.

“A inflação em 2015 será de 12% a 15%.”

No entanto, creio que é possível atingir vários compromissos mútuos após a resolução do conflito no sudeste da Ucrânia, o que permitiria suavizar as sanções.

Com a política econômica adequada, não como agora, é possível garantir o crescimento econômico nessas condições. No entanto, a Rússia não poderá se tornar mais competitiva. Eles dizem: “vamos ser autossuficientes”. Mas os países similares, como a China, o Brasil ou a Índia, poderão usar todas as possibilidades tecnológicas e financeiras da economia global, enquanto a Rússia não terá esse acesso. No futuro próximo, a Rússia poderá alcançar êxitos notáveis apenas em algumas áreas locais, principalmente na indústria de defesa.

“Em 2015, o governo russo poderá estabilizar a moeda nacional durante dois a três meses. Será preciso reduzir as importações, o que diminuirá a demanda por moeda.”

A Rússia conseguirá evitar a falência? 

A falência é uma medida extrema. Creio que é pouco provável.

Seria melhor até introduzir controle cambial. Esse regime de exportação de moeda existiu até 2006. Antes de retirar moeda do país, os empresários tinham que reservá-los em contas especiais Banco Central e explicar o motivo da remoção.

"Em 2015, pela primeira vez desde 2000, durante o governo de Pútin e Medvedev, a renda real da população será reduzida.

 

Publicado originalmente pelo jornal RBC

 

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