2014 e a derrocada da economia russa

Em outubro, após a venda de cerca de US$ 30 bilhões como intervenções cambiais, o Banco da Rússia adotou o regime de câmbio flutuante da moeda nacional Foto: RIA Nóvosti

Em outubro, após a venda de cerca de US$ 30 bilhões como intervenções cambiais, o Banco da Rússia adotou o regime de câmbio flutuante da moeda nacional Foto: RIA Nóvosti

Em 2014, a economia russa sofreu com as sanções econômicas introduzidas pelos países ocidentais e com a queda acentuada dos preços do petróleo, o que levou à desvalorização da moeda nacional e à reorientação para o Oriente.

Em um ano de muitas reviravoltas na economia russa, a Gazeta Russa selecionou os principais acontecimentos de 2014 na área.

Rússia começou a extrair petróleo no Ártico

Em abril de 2014, a Gazprom começou a extrair petróleo na jazida Prilazlômnaia, a única plataforma industrial localizada na no Ártico. O petróleo extraído dessa jazida recebeu a denominação de ARCO (Arctic oil). O projeto foi realizado apesar dos protestos de grande escala de ecologistas, incluindo os do Greenpeace. A Rússia planeja montar 25 plataformas desse tipo no Ártico até 2020 e oferecer tecnologias russas para outros países.

Contrato para a construção de um gasoduto para a China

Em maio de 2014, a Gazprom e a petrolífera chinesa CNPC assinaram um contrato no valor de US$ 400 bilhões para o fornecimento à China de 38 bilhões de metros cúbicos de gás por ano durante os próximo 30 anos. Os fornecimentos serão realizados através do gasoduto Sila Sibíri (Força da Sibéria), cuja construção foi iniciada em setembro de 2014. De acordo com um estudo realizado pelo Banco BofA Merrill Lynch, o contrato começará a influenciar os indicadores macroeconômicos da Rússia já em 2015. Devido a esse projeto, o volume anual de investimentos da Gazprom vai crescer entre US$ 5 bilhões e US$ 6 bilhões por ano.

Maior empresa de TI russa entrou na bolsa de valores de Moscou

Em junho de 2014, a empresa holandesa Yandex NV, que é proprietária do maior site de busca russo, o Yandex, começou a vender ações na bolsa de valores de Moscou. Além disso, as ações continuarão a ser negociados na bolsa americana NASDAQ, onde a empresa realizou a oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês), vendendo 17,6% das suas ações. O volume total da IPO ultrapassou US$ 1,43 bilhões.

Ucrânia parou de comprar gás russo

Em junho 2014, em meio à crise por causa da guerra no Leste ucraniano, a Gazprom congelou os fornecimentos de gás russo à Ucrânia, devido ao crescimento da dívida ucraniana. Por sua vez, o governo ucraniano acusou a Rússia de um aumento de preços injustificado de US$ 285 a US$ 485 por mil metros cúbicos. A Gazprom explicou que o aumento dos preços foi causado pelo cancelamento de descontos. O conflito foi resolvido apenas no final de outubro, e os fornecimentos de gás para a Ucrânia foram reiniciados apenas em dezembro.

Sanções econômicas contra a Rússia

Em julho de 2014, por causa da crise na Ucrânia, os Estados Unidos e os países da União Europeia introduziram sanções contra as maiores empresas russas com participação do Estado, inclusive a petrolífera Rosneft, e os bancos VEB, VTB, Sberbank e Gazprombank. Essas empresas não serão capazes de obter empréstimos no ocidente por mais de três meses. No entanto, a propriedade dessas empresas não foi apreendida. Segundo o ministro das Finanças da Rússia, Anton Siluanov, o país perdeu cerca de US$ 40 bilhões devido às sanções geopolíticas.

Proibição de importação de alimentos da Europa e dos EUA

Em resposta às sanções ocidentais, em agosto de 2014, o governo russo introduziu um embargo ao fornecimento de alimentos dos EUA e da UE. O mercado russo foi privado de quase um terço do leite e carne importados. De acordo com o Serviço Aduaneiro Federal, isso ajudou Argentina, Brasil, Nova Zelândia e Nicarágua a aumentar os fornecimentos de produtos de carne para a Rússia.

A queda dos preços do petróleo

Em 27 de novembro, os membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) não conseguiram chegar a um acordo sobre a manutenção dos preços mundiais do petróleo. De acordo com o Ministério das Finanças russo, a Rússia está perdendo cerca de US$ 90 bilhões a US$ 100 bilhões por um ano por causa dos preços decrescentes. Cerca de 50% do orçamento russo depende das receitas do petróleo e do gás, o que levou à queda acentuada do rublo.

Desvalorização do rublo 

Em outubro, após a venda de cerca de US$ 30 bilhões como intervenções cambiais, o Banco da Rússia adotou o regime de câmbio flutuante da moeda nacional. Como resultado, o rublo caiu 60% em relação ao dólar e ao euro, o que levou ao aumento da inflação e à redução da renda da população.

Combate contra offshores

Em novembro, a Duma (câmara baixa do Parlamento russo), aprovou um projeto de lei contra as empresas em paraísos fiscais (offshore). Agora, os acionistas russos terão de pagar impostos sobre os lucros de suas empresas estrangeiras. Mais tarde, durante seu discurso anual na Assembleia Federal da Rússia, o presidente Vladímir Pútin prometeu congelar o sistema fiscal da Rússia por quatro anos e realizar uma anistia a empresas nos paraísos fiscais desde que as quantias regressem para a Rússia.

Fechamento do projeto South Stream

Em dezembro, a Rússia suspendeu a construção do gasoduto South Stream, com capacidade de 63 bilhões de metros cúbicos por ano. O gasoduto deveria ligar a Rússia com Bulgária, Sérvia, Hungria, Áustria, Itália e Eslovênia. Pútin explicou que o projeto foi cancelado devido à decisão da Bulgária, que se recusou a conceder a permissão final para a construção do gasoduto.

Em agosto, o Ministério da Economia e Energia da Bulgária congelou o projeto, porque a Comissão Europeia declarou que o South Stream não está em conformidade com o Terceiro Pacote da Energia da UE. De acordo com as regras desse pacote, petrolíferas não podem ser proprietárias de gasodutos no território da UE. Durante os últimos três anos, a Gazprom investiu US$ 4,66 bilhões nesse projeto.

 

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