Euro é cotado a 100 rublos após nova queda da moeda russa

A moeda russa perdeu quase 20% em apenas algumas horas de negociação Foto: Serguêi Kuznetsov/RIA Nóvosti

A moeda russa perdeu quase 20% em apenas algumas horas de negociação Foto: Serguêi Kuznetsov/RIA Nóvosti

Nesta terça-feira (16), o euro foi comercializado a 100 rublos, atingindo um novo recorde de desvalorização. Queda da moeda foi registrada mesmo depois de o Banco Central tomar medidas de urgência e anunciar um aumento da taxa de juros na tentativa de conter a tendência negativa.

Um rublo valia menos que um centavo de euro às 03:13 (GTM), de acordo com dados da Bolsa de Moscou. Paralelamente, o dólar americano disparou e foi cotado a 80,1 rublos.

O colapso do rublo nesta terça à tarde em Moscou foi a maior queda registrada em um único dia desde a crise financeira de 1998. A moeda russa perdeu quase 20% em apenas algumas horas de negociação.

“A credibilidade do Banco Central está seriamente abalada”, disse Timothy Ash, analista de mercados emergentes do Standard Bank, em uma nota a investidores.

No início do dia, o rublo havia saltado abruptamente, ganhando quase 10% em relação ao dólar, que era então comercializado a 58,1 rublos. A valorização temporária se deu após o anúncio do Banco Central sobre o aumento das taxas de juro de 10,5% para 17%.

Mas os benefícios da medida foram limitados, na medida em que uma nova queda dos preços do petróleo e o clima de negócios no país intensificaram mais uma vez a pressão sobre a moeda nacional.

O preço do petróleo tipo Brent, que serve de referência no mercado global, caiu abaixo de US$ 60 por barril, atingindo 59,02 dólares – valor que não era registrado desde 2009.

O primeiro-ministro Dmítri Medvedev disse nesta terça que iria convocar uma reunião do governo para discutir a situação financeira. A nova desvalorização do rublo soma-se à queda de 10% observada nesta segunda-feira.

O rublo despencou 60% em relação ao dólar desde o início do ano, tornando-se a moeda com pior desempenho no mundo em 2014.

Insatisfação geral

Com a maior elevação da taxa de juros desde a década de 1990, o Banco Central aposta que um maior retorno sobre os depósitos e poupança tornaria o rublo mais atrativo, aliviando a pressão exercida pela queda dos preços do petróleo e pelas sanções do Ocidente.

A presidente do Banco Central da Rússia, Elvira Nabiullina, declarou nesta terça que os russos devem se acostumar a viver em uma “nova zona”, de acordo com uma entrevista ao canal de televisão estatal Rossiya 24.

O Banco Central, que já vendeu mais de US$ 70 bilhões de seus reservas em moeda estrangeira este ano para defender o rublo, será provavelmente forçado a realizar intervenções no mercado, segundo os analistas do Sberbank CIB.

“Intervenções monetárias significativas devem dar sequência à recente medida do Banco Central”, disseram os analistas em nota aos investidores.

A forte queda do rublo nos últimos dias gerou uma onda de críticas às autoridades por parte de investidores e legisladores.

“A queda do rublo e do mercado de ações não é apenas uma reação ao baixo preço do petróleo e às sanções, mas também sugere desconfiança em relação às medidas econômicas do governo”, escreveu o ex-ministro das Finanças, Aleksêi Kudrin, em sua conta no Twitter.

Oleg Nilov, deputado pelo partido Rússia Justa na Duma de Estado (câmara baixa do Parlamento russo), pediu ao congresso para realizar uma sessão de emergência com o governo, na sequência da decisão tomada pelo Banco Central.

Outros deputados e analistas foram categóricos ao declarar que Nabiullina havia “calculado a situação de forma desastrosa”. “A inércia havia deixado a estabilidade do sistema financeiro em jogo. Eu não tenho certeza se Nabiullina consegue sobreviver a esta”, concluiu Timothy Ash.

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Publicado originalmente pelo The Moscow Times

 

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