Sanções foram sinal para ‘substituição de importações’, diz Medvedev

Medvedev: “Vivemos todo o século 20 sob sanções permanentes” Foto: AP

Medvedev: “Vivemos todo o século 20 sob sanções permanentes” Foto: AP

Em discurso transmitido pelos principais canais da TV russa, o primeiro-ministro apelou para a redução da dependência da economia russa em relação aos preços do petróleo. Segundo ele, é preciso desenvolver projetos inovadores e utilizar as sanções impostas à Rússia em benefício do país.

Durante o discurso na semana passada, o primeiro-ministro russo Dmítri Medvedev disse que, embora as reservas obtidas do petróleo sejam o que estão permitindo sobreviver à situação atual, a Rússia precisa de sair da ‘doença holandesa’, referindo-se à relação entre a exportação de recursos naturais e o declínio do setor manufatureiro.

“Quando o preço do petróleo sobe, nós ganhamos a possibilidade de fazer reservas e, nos últimos anos, conseguimos formar reservas de ouro bem consideráveis que nos permitem sobreviver à crise”, explicou Medvedev, acrescentando, contudo, que tal dependência não é favorável para a estabilidade financeira do país.

A Rússia vive há 40 anos em grande dependência do petróleo. Como resultado, segundo os dados oficiais, pelo menos 50% da economia russa depende de hidrocarbonetos e de qualquer tipo de flutuações no mercado do petróleo e gás.

Um século de sanções

Medvedev lembrou que não é a primeira vez que são aplicadas sanções contra a Rússia ou a União Soviética. Exemplos disso são a proibição de compra do ouro da URSS, assim como a emenda Jackson-Vanik, que restringia o comércio dos EUA com o país. “Em geral, vivemos todo o século 20 sob sanções permanentes”, disse o premiê.

Atualmente, o governo vem introduzindo uma série de iniciativas para a criação e modernização da indústria da alta tecnologia. “Esta é uma alternativa às exportações de petróleo e gás, às matérias-primas”, disse Medvedev. “Mas é preciso entender que para a criação desse tipo de economia, para a sua diversificação, é necessário não um ano, não dois, nem três, isso leva bastante tempo.”

Medvedev admitiu também que o preço do petróleo e as sanções contra a Rússia estão se refletindo na taxa de câmbio do rublo. “Esse tipo de sanções cria determinadas expectativas, e essas expectativas afetam tanto o clima das empresas, como a disposição dos cidadãos comuns, o que acaba se repercutindo de alguma forma na situação do rublo”, explicou.

Ainda de acordo com o premiê, a crise econômica afetou não apenas a Rússia, que depende do preço do petróleo, mas também o resto da Europa. Devido às medidas impostas à Rússia, a economia nacional já perdeu “dezenas de bilhões de dólares”, enquanto a europeia perdeu 40 bilhões de euros em 2014 e perderá 50 bilhões de euros no próximo ano. “As sanções deram ao governo um motivo para entender que é hora de focarmos na substituição de importações.”

 

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