União Europeia altera regulamentos das sanções contra a Rússia

A Europa está interessada na redução do impacto negativo das restrições de crédito sobre o comércio com países que não são membros da UE, como, por exemplo, a Ucrânia Foto: AP

A Europa está interessada na redução do impacto negativo das restrições de crédito sobre o comércio com países que não são membros da UE, como, por exemplo, a Ucrânia Foto: AP

A União Europeia publicou os detalhes de alterações nas sanções contra os setores financeiros e petrolíferos da economia russa. As mudanças cancelam proibições de realizr uma série de projetos petrolíferos e permitem que os bancos russos obtenham empréstimos no Ocidente, mas com restrições.

O conselho da UE (União Europeia) publicou alterações aos regulamentos das sanções que limitam o acesso dos bancos e petrolíferas estatais russos a financiamento europeu e da indústria do petróleo às tecnologias e equipamento europeus.

A UE vai permitir que bancos russos obtenham empréstimos nos países europeus. No entanto, os bancos estatais russos afetados pelas sanções (Sberbank, VTB, Gazprombank, Vnesheconombank e outros) poderão receber créditos por 30 dias apenas para ajudar suas filiais registradas na União Europeia que pertencem às instituições russas.

“Os bancos subsidiários da Sbrebank e VTB na UE são instituições financeiras relativamente grandes, com dezenas de milhares de clientes que moram nos países europeus”, diz Aleksêi Abramov, chefe do Centro de Análise do Sistema Financeiro da Academia Russa de Economia Nacional e Administração Pública.

“Esses bancos trabalham nas condições de autofinanciamento, por isso as sanções afetaram principalmente os cidadãos da União Europeia”, diz.

De acordo com a nova decisão da UE, a proibição de acesso ao financiamento da dívida não se aplica às linhas de crédito firmados antes de 12 de setembro.

Segundo a analista da corretora FBS Kira Iúlhtenko, os novos detalhes das sanções europeias são positivos, mas, em geral, o aquecimento nas relações russo-europeias é quase imperceptível.

"Essas alterações ajudarão a manter a estabilidade do sistema financeiro da UE e proteger os interesses dos cidadãos europeus. É pouco provável que elas possam ser consideradas como um passo em direção à Rússia”, diz Iúkhtenko.

“A Europa está interessada na redução do impacto negativo das restrições de crédito sobre o comércio com países que não são membros da UE, como, por exemplo, a Ucrânia. As alterações não resolvem os problemas de longo prazo dos bancos russos causados pelas sanções”, explica Iúkhtenko.

De acordo com as alterações aos regulamentos das sanções, agora a União Europeia poderá fornecer tecnologias e financiar a produção de petróleo nas jazidas terrestres no Ártico. No entanto, segundo Mikhail Krutíkhin, da empresa RusEnergy, esse alívio não terá efeito nenhum.

“As petrolíferas russas têm muitos projetos no Ártico, mas eles não são financiados do exterior”, diz Krutíkhin. “A única exceção é a jazida Vankor, desenvolvida junto com a China e a Índia”, completou.

Segundo a diretora-geral da empresa de consultoria Miravil Group, Natália Lebedeva, a Rússia tem todas as tecnologias para extração de petróleo em terra, por isso as sanções não afetam esse tipo de produção.

“O maior parceiro ocidental da Rússia no Ártico é a ExxonMobil. Se os países ocidentais aumentarem a pressão, a Rússia desenvolverá parceria tecnológica com a petrolífera brasileira Petrobras e com a venezuelana Petromiranda”, completou Lebedeva.

 

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