Privatização parcial da Rosneft pode puxar medidas semelhantes

De acordo com especialistas, o preço da Rosneft caiu principalmente por causa das sanções econômicas Foto: AFP/East News

De acordo com especialistas, o preço da Rosneft caiu principalmente por causa das sanções econômicas Foto: AFP/East News

Segundo o vice-chefe do Departamento de Regulação da Economia do Estado da Academia Russa de Economia Nacional e da Administração Pública, Ivan Kapitonov, no futuro próximo terá início uma nova onda de privatizações, que afetará outras empresas estatais, como a companhia ferroviária Russian Railways (RZhD, na sigla em russo) e o Sberbank.

Na última segunda-feira (1), o primeiro-ministro russo, Dmítri Medvedev, assinou um decreto sobre a privatização de 19,5% das ações da maior petrolífera russa, a Rosneft. De acordo com o documento, a participação do Estado na empresa será reduzida de 69,5% a 50% mais uma ação.

As ações serão negociadas a um preço não inferior ao valor no momento da oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês), realizada em 2006. De acordo com o ministro das Finanças da Rússia, Anton Siluanov, investidores chineses já mostraram interesse pelas ações da Rosneft.

Segundo o vice-chefe do Departamento de Regulação da Economia do Estado da Academia Russa de Economia Nacional e da Administração Pública, Ivan Kapitonov, a privatização da petrolífera estatal é uma decisão forçada.

“O objetivo dessa venda é aumentar a arrecadação do orçamento federal em 2015 e compensar as perdas causadas pela queda dos preços do petróleo e pelas sanções ocidentais", diz Kapitonov.

Ativo financeiro complexo

De acordo com o analista da holding de investimento FINAM, Anton Soroko, o governo tem de decidir o melhor momento de vender os ativos.

“É impossível vender os ativos em um ambiente econômico desfavorável.”, diz.

Em julho de 2006, a Rosneft vendeu 1,4 bilhões de ações no valor de US$ 10,7 bilhões. Uma ação custou US$ 7,55. No entanto, desde o início de 2014, o valor de mercado da Rosneft em dólares caiu 38%. De acordo com dados da agência Bloomberg, a petrolífera custa cerca de US$ 50 bilhões hoje.

De acordo com especialistas, o preço da Rosneft caiu principalmente por causa das sanções econômicas e da queda dos preços do petróleo. Além disso, o volume de empréstimos da empresa russa é de US$ 60 bilhões. Entre os maiores produtores de petróleo do mundo, apenas a brasileira Petrobras tem mais dívidas do que a Rosneft.

O presidente da Rosneft e ex-vice-primeiro-ministro da Rússia, Ígor Sêtchin, declarou no final de outubro que os 19,5% da ações empresa poderiam ser privatizadas a um preço não inferior a US$ 8,12 por ação.

Mas segundo o analista principal da empresa de investimentos UFS IC, Iliá Balákirev, por causa da desvalorização do rublo, uma ação da Rosneft custa cerca de US$ 4,5 no momento.

"Hoje, a petrolífera parece particularmente atraente devido ao alto nível da dívida e à necessidade de refinanciar ou devolver US$ 30 bilhões da dívida externa até o final do próximo ano", diz Balákirev.

A Rosneft já tinha pedido ajuda do governo russo e enviou um pedido ao Fundo Nacional de Investimentos, mas o governo decidiu que o pedido não correspondia às regras do Fundo e o rejeitou.

Novas perspectivas

Em 2012, o premiê Medvedev  iniciou um grande programa de privatização, que foi aprovado pelo governo no final de 2012. No entanto, o governo russo vendeu apenas 7,6% do maior banco do país, o Sberbank, enquanto a participação estatal no segundo maior banco, o VTB, diminuiu de 85,5% a 60,9%.

Segundo Kapitonov, no futuro próximo terá início uma nova onda de privatizações, que afetará outras empresas estatais, como a companhia ferroviária Russian Railways (RZhD, na sigla em russo) e o Sberbank.

No entanto, de acordo com Soroko, os investimentos em empresas estatais são um pouco menos atraentes do que o mercado russo em geral hoje, porque os investidores não se esquecem dos riscos políticos.

Além disso, segundo Balákirev, o mercado de câmbio russo reflete a baixa atratividade dos ativos russos.

"O colapso do rublo mostra claramente que os ativos russos não são atraentes para os investidores. O governo russo não quer vender os ativos por um preço barato, por isso poucos investidores vão se interessar nessas ações”, completou Balákirev.

 

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