Morte de CEO da Total põe petrolíferas russas em alerta

Pútin conhecia Margerie (esq.) há muito tempo, e mantinha com ele uma estreita relação de trabalho Foto: AFP/East News

Pútin conhecia Margerie (esq.) há muito tempo, e mantinha com ele uma estreita relação de trabalho Foto: AFP/East News

Vítima de acidente em Moscou, empresário francês era conhecido por oposição a sanções ocidentais. Analistas se dividem sobre rumo de projetos conjuntos e atividades da empresa francesa na Rússia.

Nesta terça-feira (21), o presidente russo Vladímir Pútin prestou condolências pela morte do presidente da Total, Christophe de Margerie. “Pútin conhecia Margerie há muito tempo, e mantinha com ele uma estreita relação de trabalho”, declarou o assessor de imprensa do chefe de Estado, Dmítri Peskov.

O presidente da Total estava em Moscou para a reunião anual do Conselho Consultivo de Investimentos Estrangeiros, que foi conduzida pelo primeiro-ministro russo Dmítri Medvedev. O empresário francês era conhecido por se opor às sanções contra a Rússia.

“Pútin apreciava bastante as qualidades empresariais de Margerie, o seu empenho contínuo em desenvolver não só as relações bilaterais russo-francesas, mas a cooperação multilateral em seu todo, vantajosa para ambas as partes”, continuou Peskov.

Raio-x: Christophe de Margerie 

Christophe de Margerie nasceu em Paris, em 6 de agosto de 1951. Em 1974 graduou-se pela Escola Superior de Comércio de Paris. Ainda em 1974 começou a trabalhar na divisão de finanças da Total. Ao longo desses anos, ocupou diversas posições de destaque na petrolífera, como tesoureiro, vice-presidente executivo para o Oriente Médio e presidente da unidade Exploração e Desenvolvimento. Em 2007, assumiu a diretoria-geral da petrolífera francesa Total, uma das maiores do mundo. 

De acordo com Anna Kókoreva, analista da corretora Alpari, o acidente da segunda-feira passada não passará sem deixar vestígios no mercado de ações e no país. “As ações da Gazprom e da Lukoil praticamente não reagiram ao acontecimento, ao contrário da Novatek, que acusou uma queda de 3,1%. Quanto às ações da Total, elas caíram na segunda-feira à noite de 43 para 42 euros”, avalia.

Em entrevista à rádio Kommersant FM, o vice-diretor-geral do Instituto Nacional de Energia, Aleksandr Frolov, demonstrou mais otimismo. “Eu não acho que a morte de Christophe de Margerie venha a influenciar demais os projetos conjuntos e o desenvolvimento das atividades da Total na Rússia. Em primeiro lugar, muitos desses projetos já foram implementados e não faz nenhum sentido interrompê-los. Além disso, são interessantes e vantajosos para a própria Total”, afirmou Frolov.

Entre os principais projetos conjunto, o especialista destacou o estudo de reservas da Formação de Bajenov, que os franceses realizam juntamente com a Lukoil. “Os trabalhos desse contrato começam já no próximo ano. Duvido que a empresa renuncie a isso agora.”

A empresa de petróleo e gás francesa Total é a quarta maior do mundo em termos de produção, depois da Royal Dutch Shell, BP e ExxonMobil. Na Rússia já opera há mais de 20 anos. Em 2013, o volume da produção de petróleo e gás do grupo foi de 207 mil barris por dia. 

Na Rússia, a Total está envolvida na concretização de cinco grandes projetos: 

- Desenvolvimento do campo de Khariaga (Distrito Autônomo de Nenets);

- Preparação do campo de condensado de gás de Shtokman (Mar de Barents);

- Desenvolvimento do campo Termokarstovoie (Distrito Autônomo de Iamal-Nenets);

- Desenvolvimento do campo Khvalinskoe (plataforma continental do mar Cáspio);

- Lançamento do projeto para desenvolver o campo de gás condensado de Iujno-Tabeiskoie e de produção de gás natural liquefeito (GNL) do projeto Iamal LNG.

 

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