Ministério da Indústria russo sugere importações da América Latina e Ásia

Em documento oficial, fabricantes chineses são citados como fornecedores alternativos para a maioria dos itens Foto: TASS

Em documento oficial, fabricantes chineses são citados como fornecedores alternativos para a maioria dos itens Foto: TASS

Órgão federal apontou países que podem salvar o setor nacional de petróleo. China, Índia, Coreia do Sul e América Latina estão entre os mais cotados para substituir equipamentos cuja importação foi proibida.

Pela primeira vez desde a imposição das sanções ocidentais, o Ministério da Indústria e do Comércio russo elaborou uma lista com medidas referentes à substituição de importações no setor petrolífero. O órgão público reconheceu o grau crítico de dependência dos produtores de petróleo em relação aos equipamentos que tiveram sua importação vetada.

Levando em conta as importações ocultas (quando os serviços são prestados por subsidiárias russas de empresas estrangeiras), a parcela de participação de tecnologias e equipamentos importados chega a 80%. Em certas categorias, tais como equipamentos usados em plataformas continentais (offshore) ou softwares, as importações ultrapassam os 90%.

As sanções impostas pela União Europeia e pelos EUA proíbem apenas o fornecimento de equipamentos e tecnologias utilizadas nos projetos do Ártico, de água profunda e óleo de xisto. Porém, as restrições ameaçam também a produção nos campos de petróleo tradicionais, garantem os funcionários do ministério.

As empresas de petróleo nacionais são mais dependentes da importação de equipamentos de bombeamento e compressão, aparelhos para levantamento de dados geológicos e sísmicos, sistemas de software e de automação, bem como equipamentos e tecnologias para perfuração offshore.

Apesar de existirem na Rússia mais de 200 empresas que fabricam equipamentos utilizados na produção de petróleo e gás, a substituição das importações na maioria das categorias não se viabilizará antes de 2018-2020. De acordo com o prognóstico do órgão federal, apenas cinco dos 45 itens poderão ser substituídos agora.

Mudança de eixo

O documento lançado pelo Ministério da Indústria e do Comércio destaca o papel de fabricantes da China, Coreia do Sul, Cingapura, Índia e dos países da América Latina como fornecedores alternativos. O equipamento necessário também poderia ser adquirido nos Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Israel, mas, segundo a publicação, esses países não podem ser considerados como alternativa, pois “seguem a conduta dos EUA”.

Os fabricantes chineses são citados como fornecedores alternativos para a maioria dos itens, e incluem empresas de peso como CNPC (China National Logging Corporation), Shanghai Electric Heavy Industry e Huawei. “Já faz alguns anos que os fabricantes chineses fornecem para o mercado russo lotes pequenos de sondas de perfuração, móveis e estacionárias”, observa Serguêi Sanakóiev, secretário-executivo da Câmara Russo-Chinesa do Comércio. 

Sanakoiev esclarece também que 70 a 80% do equipamento ocidental (“ferragens”) é produzido na China, e apenas 20%, os computadores e os softwares (“cérebros”), são fabricados no Ocidente.

Os produtores russos de petróleo já estão negociando com os novos fornecedores. Em meados de outubro, a estatal russa Rosneft discutiu com a CNPC a possibilidade de unir esforços na área de serviços petrolíferos e na produção de equipamentos. Em setembro, ainda antes da imposição do último pacote de sanções, Vadim Iákovlev, primeiro vice-diretor da Gazprom Neft, já havia afirmado que a empresa procurava fornecedores alternativos, inclusive na Ásia.

 

Publicado originalmente pelo jornalRBC Daily

 

Confira outros destaques da Gazeta Russa na nossa página no Facebook

Todos os direitos reservados por Rossiyskaya Gazeta.