Com sanções, Buenos Aires quer aumentar vendas a Moscou

Este ano, representantes das várias associações argentinas da agricultura se reuniram na World Food Expo Moscow Foto: AP

Este ano, representantes das várias associações argentinas da agricultura se reuniram na World Food Expo Moscow Foto: AP

O ministro da Agricultura, Pecuária e Pesca da Argentina, Carlos Casamiquela, declarou que as exportações de alimentos da Argentina para a Rússia "podem aumentar US$ 2 bilhões".

Quando o governo russo anunciou a introdução de sanções contra a União Europeia e os Estados Unidos e parou de comprar os produtos alimentícios desses países, um clima de euforia se estabeleceu no governo argentino. Os funcionários da presidente Cristina Kirchner começaram a fazer cálculos e declararam que o efeito compensatório dessas medidas será muito benéfico para a Argentina. Os especialistas afirmam que o intercâmbio comercial entre Moscou e Buenos Aires aumentará 30%.

O ministro da Agricultura, Pecuária e Pesca da Argentina, Carlos Casamiquela, declarou que as exportações de alimentos da Argentina para a Rússia "podem aumentar US$ 2 bilhões". O ministro prevê um aumento significativo nas exportações de carnes, laticínios, frutas e peixes.

Essas tendências correspondem à posição do presidente da Rússia, Vladímir Pútin, que, durante sua visita à Argentina em agosto passado, declarou que “a Argentina tornou-se o parceiro estratégico mais importante da Rússia na América Latina".

Assim, a Argentina entrou no jogo geopolítico mundial e começou a desempenhar um papel muito importante no confronto entre a Rússia e os países ocidentais. Na verdade, Cristina Kirchner já demostrou várias vezes seu apoio a Moscou em relação à Crimeia, quando a Argentina se recusou a apoiar as sanções contra a Rússia na ONU e levantou a ideia de "duplo padrão" das grandes potências.

Problemas internos

A proibição de importação de alimentos da União Europeia e dos Estados Unidos foi estendida ao Canadá, Noruega e Austrália. Ao mesmo tempo, os problemas da recessão econômica e a inflação na Argentina começaram a aumentar a tensão social. A simples ideia de elevar o comércio de alimentos para a Rússia se tornou uma grande notícia para Cristina Kirchner, embora vários setores internos do governo creem que isso poderia aumentar os preços no mercado interno.

Além disso, existe um conflito entre a Argentina e os EUA não resolvido sobre o pagamento de US$ 1,5 bilhões da dívida. A Argentina tem uma forte disputa com União Europeia pela decisão de bloquear a importação de biodiesel da Argentina.

Casamiquela declarou que a decisão da Rússia de suspender as importações de alimentos do Ocidente é "uma grande oportunidade".

"A expectativa é enorme porque existe uma possibilidade muito interessante. A Rússia declarou que todos os países que produzem alimentos podem se tornar novos fornecedores", disse.

A Rússia escolheu três países da América Latina para compensar a proibição importação de alimentos da União Europeia e dos Estados Unidos: Argentina, Brasil e Uruguai.

Na segunda semana de setembro havia sido colocado em dúvida a decisão da Argentina de corresponder às necessidades da Rússia já que o secretário de Comércio, Augusto Costa, comunicou a  alguns empresários que o governo argentino restringiria as exportações dos produtos lácteos e de carne para provocar uma sobre oferta no mercado interno que ajude a frear a subida dos preços.

O governo argentino rejeitou essa ideia e aprovou a decisão de aumentar as exportações de carne de frango, laticínios, peixe, frutas frescas, legumes, carnes, vinho e suco de uva para a Rússia.

“Tudo vai depender dos preços​​, das condições de qualidade e da segurança do abastecimento", disse o ministro da Agricultura da Argentina.

 

Martin Dinatale é o editor de política do jornal argentino La Nación

 

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