Aumento de preço leva a substituição de importações de carne brasileira

Brasil é o maior fornecedor de carnes para o mercado russo Foto: PhotoXPress

Brasil é o maior fornecedor de carnes para o mercado russo Foto: PhotoXPress

Recentemente, os importadores russos registraram um aumento brusco de preços por parte dos fornecedores brasileiros de carne suína. Ambições comerciais levaram a Rússia a intensificar conversações com China e Índia.

A necessidade de reduzir os valores de produtos fornecidos para a União Aduaneira Euroasiática foi pauta da reunião entre Serguêi Dankvert, diretor do Serviço Federal de Inspeções Veterinárias e Fitossanitárias (Rosselkhoznadzor), e Marcelo Ferraz, secretário brasileiro de Relações Internacionais do Agronegócio, durante a feira “World Food”, na semana passada.

 

De acordo com Almir Ribeiro Américo, gerente do Centro de Negócios de Moscou da APEX, fato é que os preços estão sujeitos às condições dos mercados internos dos países fornecedores. Nos últimos anos, o governo argentino, por exemplo, impôs limites às exportações para combater a inflação e garantir o abastecimento interno. “Como no Brasil não há controle governamental das exportações, o parâmetro preço fica sujeito às sensibilidades de demanda”, explicou Américo.

No entanto, as ambições comerciais dos fornecedores brasileiros levaram a Rússia a intensificar as conversações com China e Índia. Duas empresas chinesas já foram autorizadas a efetuar fornecimentos, e uma equipe de inspetores russos está trabalhando atualmente no país a fim de avaliar as empresas quanto às exigências veterinárias da União Aduaneira.

“A escala de produção na China é muito grande e não há dúvidas de que esses fornecimentos podem fomentar uma forte competição no mercado russo. Há o grande desafio do produto chinês ser enquadrado nos rigorosos padrões de controle do Rosselkhoznadzor. A qualidade é o diferencial do produto brasileiro no mercado russo para a competição com novos fornecedores”, garantiu Américo.  

Além disso, segundo o empresário, como o Brasil é o maior fornecedor de carnes para o mercado russo, “esse é um setor no qual os agentes russos e brasileiros já se conhecem, e o aumento do volume de negócios acontece de maneira quase automática, na medida em que novos frigoríficos são habilitados pelas autoridades dos dois países”.

A expectativa agora é impulsionar também a remessa de maçãs e cítricos na próxima safra, embora muitas frutas brasileiras, como mangas e melões, possam ter seu fornecimento interrompido por chegarem ao mercado russo via reexportações da Holanda.

Frango em alta

De acordo com os dados da consultoria Global Reach Consulting, o volume do mercado russo de carne de frango atingiu quase 4 milhões de toneladas toneladas em 2013. Desse montante, a parte de produção importada de origens diversas era de somente 11%. Mas o embargo imposto ao Ocidente mudou a dinâmica de procura.

A proibição de importação de toucinho da Europa e encarecimento de outros tipos de carnes levou ao aumento da procura de produtos avícolas. Embora o Brasil não tenha aumentado de maneira expressiva suas exportações gerais para a Rússia, foi observado que, na primeira metade de setembro, os brasileiros exportaram 8.500 toneladas de carne de aves, contra 6.000 toneladas em julho passado.

Novas oportunidades

Em meados de agosto, Moscou fechou seu mercado de carnes, legumes e frutas, marisco e pescado resfriado, leite e laticínios, para fornecedores da União Europeia, Austrália, Canadá, Noruega e EUA, após a adoção de novas sanções antirrussas.

Embora os produtores russos estejam ocupando alguns desses nichos, em muitos dos segmentos do mercado surgiu um déficit de oferta, provocando o aumento de preços em 15 a 20%.

“O clima de incerteza devido ao contexto de disputa com países ocidentais tem movido importadores russos de alimentos a buscar fornecedores alternativos, mesmo daqueles alimentos que não estão listados entre os itens atualmente embargados pela Rússia”, disse Américo.

Segundo ele, há grande receptividade entre os distribuidores para diversificarem seus fornecedores e evitarem riscos caso as restrições se ampliem e atinjam também seus nichos de produtos. “É um bom momento para encontrar parceiros de negócios na Rússia entre distribuidores locais de alimentos”, ressaltou o empresário.

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