World Food Expo Moscow abre novas portas para produtores brasileiros

Nos últimos 40 anos, o Brasil quase dobrou seu potencial produtivo Foto: Shutterstock

Nos últimos 40 anos, o Brasil quase dobrou seu potencial produtivo Foto: Shutterstock

Durante a World Food Expo Moscow, que está acontecendo na capital até quinta-feira (18), representantes das várias associações brasileiras da agricultura se reuniram para discutir as chances de importações de carne e produtos lácteos brasileiros ao mercado russo. Apesar dos muitos obstáculos, produtores brasileiros se mostraram mais otimistas do que nunca.

Este ano marca um grande aniversário para exportadores brasileiros – há exatos 100 anos ocorreu a primeira exportação de produtos brasileiros para o estrangeiro. Mas história das das exportações do Brasil à Rússia é bem mais curta. Além disso, ao longo dos quase 20 anos de cooperação, a necessidade de competir com importadores de outros países ou locais foi um grande desafio para os brasileiros.

A enorme distância ente os dois países e burocracia imprescindível, por exemplo, fizeram com que em 2013 o Brasil ocupasse menos de 3% das importações totais dos países estrangeiros, sendo a China, Alemanha e a Ucrânia os países com a maior parcela no mercado alimentar russo, de acordo com as estatísticas do departamento de Economia Externa do Ministério do Desenvolvimento Econômico russo.

“A Rússia é um grande parceiro não só nas aquisições, mas nos processos comerciais. Tudo que se entrega, se paga”

Antônio Jorge Camardelli, presidente da ABIEC (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne)

Devido às recentes sanções impostas pela UE e pelos EUA, a Rússia tem, porém, se manifestado pronta a receber mais importações da América Latina e a reconsiderar as condições da parceria. “O Brasil também está preparado de ser fornecedor de longo prazo. Estabilidade do comércio com a Rússia é o que nós procuramos agora”, diz Rui Eduardo Vargas, vice-presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal. As estatísticas também provam as palavras de Vargas.

Nos últimos 40 anos, o Brasil quase dobrou seu potencial produtivo – de 0,6 de cabeça do gado por hectare em 1975, o rebanho cresceu para 1,2 cabeças por hectare em 2014. O Brasil exporta quase 40% da carne de aves, 20% da carne bovina e cerca de 17% da carne suína para o estrangeiro, sendo China, UE e EUA seus países-chaves.

Fornecedores de carne à Rússia

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“Quanto à Rússia, carne bovina, açúcar e carne suína fazem a maior parte da pauta exportadora do Brasil. No contexto da presente situação econômica internacional, nós estamos prontos para aumentar a produção e fornecer mais produtos, que possam ser não só vários tipos de carne, mas também soja, açúcar, café e produtos lácteos”, afirma Marcelo Junqueira Ferraz, secretário de Relações Internacionais do Agronegócio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (SRI/Mapa).

Via Láctea à Rússia

Pela primeira vez em vários anos que o Brasil participa da feira World Food, falou-se em possíveis exportações de produtos lácteos para a Rússia.

“A autoflexibilidade dos nossos animais e vários estímulos no mercado brasileiro fizeram com que ultimamente a produção de laticínios brasileiros tenha se dobrado. Neste ano o Brasil se tornou o quarto maior produtor de laticínios no mundo”, aponta Gustavo Beduschi, consultor técnico da Associação Brasileira dos produtores dos laticínios “Viva Lácteos”.

“A Rússia é um mercado autossuficiente e importa produtos para ter uma boa regularização de preços no mercado local”

Rui Eduardo Vargas, vice-presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal

Mesmo que a maioria dos produtos lácteos tenha prazo da validade bem curto, os produtores brasileiros conseguiram ocupar o nicho do mercado de laticínios que não exigem condições especiais para guardar frescura e sabor, como leite em pó, leite condensado e creme de leite.

“São exatamente eles que exportamos para a Venezuela, Argélia, Cuba e outros países do mundo. Como a Rússia nos parece um dos mercados com mais perspectivas, estamos prontos para uma parceria”, diz Beduschi.

Garantia de qualidade

A iniciativa dos empresários brasileiros já foi, contudo, várias vezes interrompida pelas restrições rígidas do Serviço Federal de Vigilância Veterinária e Fitossanitária da Rússia. No ano passado, a Rússia teve que parar a importação da carne suína por causa do alto nível da ractopamina – substância usada como aditivo alimentar para fazer os animais crescer – na carne brasileira.

“Esses casos fizeram os produtores brasileiros aumentar as exigências da qualidade da forragem animal e das condições em que os animais estão armazenados”, afirma Leandro Diamantino Feijó, diretor do Departamento da Inspeção de Produtos de Origem Animal do Brasil (Dipoa). “A experiência nos ensinou a corresponder a todos requisitos sanitários e submeter nossos produtos a todos os testes obrigatórios de outros países. Nós mesmos coletamos amostras para a análise de ractopamina e organizamos auditorias constantes das empresas brasileiras”, explica Feijó.

Para ter mais controle sobre as fábricas e produtoras de carne, o Dipoa elaborou uma lista oficial com as empresas certificadas pela agência russa Rosselkhoznadzor. No total são 3.235 empresas, sendo 1.369 produtoras de carne. “Nada é feito sem confirmação do Rosselkhoznadzor. E parece que os produtores brasileiros finalmente conseguiram encontrar o caminho para o consumidor russo”, conclui.

 

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