Aeroflot reporta prejuízo no primeiro semestre

A Aeroflot se prepara para receber uma ajuda financeira Foto: ITAR-TASS

A Aeroflot se prepara para receber uma ajuda financeira Foto: ITAR-TASS

A administração da empresa considera a estagnação em todos os setores da economia russa o principal motivo do seu fraco desempenho financeiro, mas para especialistas os resultados devem-se ao fracasso no lançamento da companhia aérea de baixo custo Dobrolet, que acabou sendo afetada pelas sanções impostas pela União Europeia.

Um relatório financeiro da companhia aérea nacional Aeroflot referente ao primeiro semestre de 2014 apontou prejuízo no valor de US$ 50,7 milhões. Nos primeiros seis meses de 2013, o lucro líquido da operadora aérea atingiu US$ 1,2 milhões.

O comunicado de imprensa emitido pela empresa cita a redução do crescimento da economia da Federação Russa como a principal causa do seu baixo desempenho. Desde  2004, a operadora aérea, que começou a emitir os relatórios financeiros semestrais apenas a partir de 2009, mantinha uma forte posição entre os negócios mais lucrativos do país.

Motivos do baixo desempenho

Enquanto no início de 2014 o lucro líquido da empresa sofreu uma queda, a sua receita aumentou em 9,4%, atingindo US$ 3,7 bilhões. Segundo os especialistas da Aeroflot, o fenômeno atual foi provocado pelo aumento do fluxo de passageiros e mudanças na taxa de câmbio do rublo em relação às moedas estrangeiras. Mas apesar do crescimento da receita, as despesas operacionais da empresa tiveram um aumento ainda maior, atingindo 15%, ou US$ 3,78 bilhões.

Além disso, o conflito ucraniano obrigou a Aeroflot a reduzir a quantidade de voos para alguns destinos.

"Em parte, a alteração nos índices de lucratividade da empesa deve-se à redução da frequência de voos para as cidades de Kiev e Odessa, assim como à suspensão da operação nas rotas que ligam a Rússia com as cidades de Donetsk e Kharkov. Além disso, houve mudança de métodos de registro da quantidade de passageiros transportados na rota de Simferopol, que de um destino internacional se transformou em um nacional [devido à anexação da Crimeia ao território russo]", explicam os especialistas da assessoria de imprensa da Aeroflot.

"Ao mesmo tempo, as despesas operacionais cresceram com uma velocidade ainda maior, inclusive por motivo do aumento dos preços de combustível, expansão para os novos setores de mercado, assim como devido ao enfraquecimento do rublo", explica Ilia Balákirev, analista sênior da agência de investimentos UFS IC. Segundo ele, a companhia aérea também foi obrigada a efetuar uma séria de pagamentos de valores significativos referentes às despesas, que acabaram afetando a sua situação financeira.

"Talvez eles possuam uma ligação com a crise ucraniana ou provavelmente têm algo a ver com o projeto da Dobrolet, que precisa ser reformulado, sem falar do reembolso das passagens já vendidas", afirma Balákirev.

Vale lembrar que as sanções impostas à Rússia pela União Europeia visando prejudicar o desenvolvimento da rota que liga o país com a península de Crimeia obrigaram a Aeroflot a fechar a companhia aérea de baixo custo criada em junho de 2014.

A empresa disse que a decisão foi tomada devido ao aumento do custo do combustível em 8,9% comparando com o mesmo período de 2013, cujas principais causas incluíram o crescimento da quantidade de passageiros, a compra de novas aeronaves e a abertura de novas rotas, dizem os representantes da Aeroflot.

Ao mesmo tempo, as despesas referentes à mão de obra sofreram uma alta de 13,8%, enquanto outros custos, inclusive os de treinamento e certificação de pilotos, aumentaram em 45,9%. Uma parte destes gastos adicionais deve-se ao lançamento da Dobrolet, que realizava um projeto de contratação e treinamento de pilotos ao longo do último ano.

No entanto, apesar do prejuízo sofrido, a Aeroflot não desiste da ideia de apresentação de uma operadora aérea de baixo custo e pretende colocar em operação outra companhia deste tipo que substituiria a Dobrolet e começaria voos regulares já no final de outubro deste ano.

Planos para o futuro   

Os relatórios de outras companhias aéreas não confirmam a existência de uma crise no mercado de transporte aéreo da Rússia.  Os dados financeiros da Transaero, principal concorrente da Aeroflot, revelaram um lucro líquido surpreendente –US$ 20 milhões, 61% a mais do que no mesmo período do ano passado. Segundo a assessoria de imprensa da operadora, seus ótimos resultados financeiros devem-se à "transição gradual para a operação nas rotas mais rentáveis, aumento da receita nos serviços de transporte de carga e à realização do programa de redução dos gastos e despesas comerciais e administrativas".

A Aeroflot se prepara para receber uma ajuda financeira. De acordo com decreto assinado pelo presidente Vladímir Pútin no dia 1º de setembro, será emitido um pacote adicional das ações da empesa. Mas conforme o texto do documento, a parte pertencente ao governo deverá permanecer na faixa de 50% e incluir também uma ação com direito de voto.

No momento, o Estado russo (através de várias empresas estatais) dispõe de cerca de 60% das ações da companhia. Há pouco tempo, o governo da Rússia programou a venda de cerca de 10% das ações da Aeroflot para meados de 2014, enquanto em julho, os dirigentes do país avaliavam um pacote composto por 8% a 9% das ações na faixa de US$ 200 milhões a US$  300 milhões.

Apesar das dificuldades enfrentadas pela Aeroflot, os especialistas do mercado não descartam a possibilidade de a empresa apresentar resultados financeiros positivos já no final deste ano.

"Levando em consideração os meses de julho, agosto, setembro, assim como dezembro, os períodos de maior quantidade de passageiros devido à época das férias, a Aeroflot tem todas as chances de corrigir a estatística negativa até o final de 2014", afirma Dmítri Baranov, especialista sênior da administradora Finam Management.

 

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