Ministério da Economia da Rússia prevê cenário pior para o próximo ano

Em 2013 o fornecimento de petróleo e gás para o exterior totalizou US$ 323,4 bilhões, e em 2014, US$ 313,5 bilhões Foto: Shutterstock

Em 2013 o fornecimento de petróleo e gás para o exterior totalizou US$ 323,4 bilhões, e em 2014, US$ 313,5 bilhões Foto: Shutterstock

Analistas acreditam que haverá queda na produção e nos preços do petróleo.

O Ministério do Desenvolvimento Econômico da Rússia anunciou que a economia no período de 2015 a 2017 deve ficar significativamente pior do que as previsões anteriores, devido a uma redução  da produção de hidrocarbonetos e da queda dos preços do petróleo. No entanto, de acordo com especialistas, já no outono a previsão provavelmente será revista, dependendo da situação  na Ucrânia. 

Os cenários de desenvolvimento da economia russa para os anos de  2015 a 2017 desenhados pelo Ministério do Desenvolvimento Econômico se deterioraram significativamente. De acordo com a previsão de base, o PIB do país em 2015 crescerá apenas 1% e não 2%, como fora previsto anteriormente, e a inflação atingirá 6,5% em vez de 5,5%. Além disso, os analistas do Ministério preveem redução das exportações de petróleo e de derivados de petróleo e gás. Se em 2013 o fornecimento de petróleo e gás para o exterior totalizou US$ 323,4 bilhões, e em 2014, US$ 313,5 bilhões, em 2015 as exportações cairão para cerca de US$ 292,5 bilhões. Além disso, no ministério acredita-se que o preço do petróleo atingirá de US$ 90 a US$ 95 por barril e se estabilizará nesse nível.

Confirmação de previsão

”A previsão é realmente muito pessimista. É difícil imaginar uma situação pior sem considerar uma força maior global", disse o sócio-diretor da empresa financeira FinExpertiza Agvan Mikaelian. "Eu não posso concordar com a queda prevista nas vendas no varejo devido à redução das importações. Eu acho que uma alternativa será encontrada, e caso a queda ocorra, ela não será tão significativa”, afirmou Mikaelian.

Em sua opinião, a previsão foi feita com base em uma  dependência forte da economia no petróleo, considerando-se que não haverá qualquer alteração em sua estrutura. “Se isso acontecer, então o nível de pessimismo se justifica", ponderou.

De acordo com Mikaelian, os autores da previsão baseiam-se no fato de que não haverá crescimento real da renda. Além disso, segundo alguns analistas, a estimativa dos parâmetros principais é até conservadora. "Por exemplo, no caso da previsão dos preços do petróleo, se houver aumento das taxas de juros do Fed (Sistema Federal de Reserva dos EUA) nos anos de  2016 e 2017, o preço do petróleo pode cair até o  nível em que estava quatro anos atrás: US$ 80 a US$ 95 por barril", disse Dmítri Badenkov. 

De acordo com Anton Soroko, analista da holding de investimentos Finam, esse tipo de previsão do ministério já era esperado havia muito tempo, e o gatilho desta vez foi a queda dos preços do petróleo para seu valor mínimo anual. No entanto, de acordo com o analista, o declínio dos preços do combustível em alguns dólares não deve levar a grandes alterações no orçamento russo. "O orçamento  dos próximos anos é formado com base em previsões conservadoras dos preços do petróleo e nesse contexto ainda não há necessidade de revisão dos indicadores", disse o especialista.

A dinâmica futura

Para o chefe do departamento de análise da empresa Russ-Invest, Dmítri Bedenkov, agora, por várias razões, é difícil fazer previsões de longo prazo sobre a dinâmica dos principais indicadores econômicos. “O Sistema Federal de Reserva dos Estados Unidos tem dúvidas sobre os prazos de implementação do aperto da política monetária.” Segundo ele, o aumento das taxas de juros nos Estados Unidos levará invariavelmente a um enfraquecimento dos preços nos mercados de commodities, e esse é um fator importante para o crescimento econômico da Rússia.

“Nessa situação, temos que considerar o equilíbrio entre poder e humor. Nesse caso é suficiente a vontade política das partes para afetar os acontecimentos", disse o principal analista da empresa UFS IC, Aleksêi Kozlov. Segundo ele, a medida principal que ajudaria a evitar o impacto negativo da crise econômica global sobre a Rússia  "é reduzir a dependência de matérias-primas, e para isso é preciso criar uma economia autossustentável equilibrada". 

Dmítri Bedenkov considera que o principal fator de desestabilização da economia russa é a situação na Ucrânia. "É difícil falar sobre o nível das relações e sobre as perspectivas futuras de aprofundamento das sanções mútuas impostas por países ocidentais para afetar a Rússia. Tudo isso poderá ter um impacto significativo sobre as previsões de indicadores-chave", disse o especialista. No entanto, como considera o presidente do Centro de Comunicações Estratégicas, Dmítri Abzalov, é pouco provável que a deterioração  da situação econômica leve a renúncias no governo. “A política de renúncia de autoridades é implementada tradicionalmente no final do ano, e eu duvido que alguém do governo, inclusive o primeiro-ministro, possa renunciar antes desse período. É mais provável que algumas mudanças ocorram apenas na véspera das eleições parlamentares, realizadas em 2016 ", disse o especialista.

 

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