Com previsão de déficit, preço do alumínio deve disparar

Foto: Aleksandr Kriajev / RIA Nóvosti

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Neste ano, o mercado mundial de alumínio enfrentará um déficit. De acordo com várias estimativas, a falta de metal será de 61 mil até 1,5 milhão de toneladas. Assim que os grandes produtores, inclusive a empresa russa Rusal, fecharam unidades ineficientes e a demanda começou a crescer, os preços do alumínio aumentaram 20% em maio. De acordo com especialistas, a tendência continuará: à espera de aumento de preços, as empresas não vão abrir novas unidades.

De acordo com previsão da corporação japonesa Sumitomo Corp., neste ano, pela primeira vez desde 2006, o mercado mundial de alumínio enfrentará um déficit. Segundo a corporação, a falta será de cerca de 61 mil toneladas em comparação com um excesso de 580 mil toneladas em 2013. Isso se explica pela diminuição da produção e pelo aumento da demanda pela indústria automobilística.

O Goldman Sachs já tinha alertado sobre a falta de alumínio no mercado internacional. Os preços baixos para o metal provocaram a diminuição da produção e o fechamento de mais de 50 fábricas ao redor do mundo. Como resultado, o déficit  poderá atingir 579 mil toneladas neste ano, após sete anos de excesso. O Citigroup e o Morgan Stanley também preveem déficit.

“Até agora, há reservas suficientes e não se observa nenhuma falta”, disse à Gazeta Russa Elizaveta Belugina, chefe do departamento de análise da empresa de transações de câmbio FBS.

Não há falta de alumínio no mercado russo. A indústria do país cresce de maneira lenta e a indústria automobilística está encolhendo.  De acordo com estatísticas da Rostat, a produção de automóveis de passeio caiu 1,3%, para 920 mil carros, e a de caminhões caiu 21%, para 75 mil unidades.   

O que poderá aumentar a demanda? 

"No exterior, a demanda por produtos russos dependerá principalmente da velocidade de crescimento da economia global”, diz o analista da FBS Cyrus Yuhtenko. “Hoje em dia pode-se prever um crescimento da demanda na indústria automobilística, aeroespacial e de construção [ligas duráveis e de alta tecnologia].”

De acordo com o gigante russo produtor de alumínio Rusal, a demanda global por alumínio crescerá no nível de 6% por ano, ao mesmo tempo em que a empresa americana de alumínio Alcoa estima 7%. Produtores explicam essa previsão pela aceleração do crescimento da produção aeronáutica e espacial. Na Alcoa também se espera  o crescimento da indústria automobilística, de construção e de embalagens. Nesse contexto, começou a crescer o preço do alumínio: a partir de maio,  o valor  aumentou 20%, atingindo US$ 2.040 por tonelada, na Bolsa de Metais de Londres.

Segundo Kira Yuhtenko, o aumento dos preços para os metais certamente contribuirá para o crescimento das cotações russas de empresas de alumínio. O principal analista da UFS IC, Ilia Balarirev, tem a mesma opinião: ele afirma que se o ritmo da recuperação dos preços do alumínio continuar, a avaliação da Rusal poderá ser revista para cima. 

A empresa atende plenamente a demanda doméstica decrescente e exporta o resto dos produtos. No entanto, internamente se considera que a abertura de unidades adicionais antes do crescimento do preço acima de US$ 2,5 mil por tonelada seria economicamente inviável.

Apesar da melhora das perspectivas, até agora a Rusal continua a ser uma empresa não rentável​​. Embora no ano passado a dívida do gigante tenha diminuído em 6,6%, em 2013 o prejuízo atingiu US$ 3,2 bilhões.

 

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