Sanções dos EUA têm como objetivo diminuir capacidade de financiamento de bancos russos

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse que o governo americano decidiu introduzir novas sanções porque a Rússia não muda sua política em relação à Ucrânia e continua a apoiar os separatistas do leste Foto: AP

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse que o governo americano decidiu introduzir novas sanções porque a Rússia não muda sua política em relação à Ucrânia e continua a apoiar os separatistas do leste Foto: AP

Medidas anunciadas pelo governo americano também afetam a indústria militar da Rússia.

Na última quarta-feira (30), os Estados Unidos anunciaram um novo pacote de sanções contra setores da economia russa. De acordo com o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, essas sanções são dirigidas contra o setor financeiro e contra a indústria de defesa do país.

As sanções atingem os três principais bancos da Rússia com participação estatal: o banco VTB (60,9% das ações pertencem ao Estado), o Banco de Moscou (95,52% das ações pertencem ao banco VTB) e o banco Rosselkhoszbank (propriedade do governo russo). A partir de agora, cidadãos e empresas americanos não podem emprestar dinheiro a esses bancos e a pessoas jurídicas relacionadas com essas intituições por períodos superiores a 90 dias. Todas as outras operações poderão ser realizadas sem limitações. Além dos bancos, os EUA introduziram restrições contra a Corporação Unida de Construção Naval.

O que isso significa para os bancos russos?

De acordo com as declarações oficiais dos Estados Unidos, o objetivo das sanções contra os bancos é a diminuição de sua capacidade de financiamento. No futuro próximo, esses bancos não poderão pedir empréstimos no mercado ocidental.

Mas, de acordo com especialistas, os bancos russos pedem poucos créditos no mercado americano. Em geral, o financiamento dos investidores americanos é realizado através do mercado de eurobônus (títulos de dívida garantidos pelas nações europeias). Dos US$ 12,7 bilhões de dívida total do VTB, apenas 5,2% são dívidas de eurobônus. A dívida do Rosselkhozbank é um pouco maior (de 20 a 22% de sua dívida total de US$ 8,6 bilhões). Esses bancos não poderão refinanciar essas dívidas através de novos empréstimos no mercado ocidental. Os especialistas afirmam ainda que as sanções não afetarão as instituições de crédito russas, que só podem solicitar créditos no mercado doméstico. O Banco Central da Rússia já declarou que irá apoiar os bancos afetados pelas sanções dos Estados Unidos.

Segundo os especialistas, o formato das novas sanções não é extremamente severo. As instituições financeiras poderão aumentar a colaboração com o mercado asiático (principalmente com a China) e com os países do Oriente Médio.

De acordo com o chefe do Centro de Análise do Sistema Financeiro da Academia Russa de Economia Nacional e Administração Pública, Aleksandr Abramov, os bancos estatais deverão refinanciar um total de US$ 15 bilhões até 2017. “Isso é um valor bastante elevado, mas não é comparável com o tamanho do negócio dos bancos. E essa dívida poderá ser substituída pelos empréstimos internos ou por outras fontes. Essas sanções não afetarão seriamente o setor financeiro, é apenas mais um aviso", explica Abramov.

O banco Rosselkhozbank sofererá mais do que os outros. Ao contrário do VTB, seus negócios não são tão diversificados e são dedicados ao financiamento de setores com um risco bastante elevado: agricultura e pequenas e médias empresas. “É provavel que o banco terá que pedir ajuda ao Banco Central para refinanciar, por exemplo, US$ 1 ou 2 bilhões por ano”, diz Abramov.

Os bancos russos afirmam que as sanções não afetarão o seu funcionamento. O representante oficial do Banco de Moscou, por exemplo, declarou que o banco não é direcionado aos mercados externos. “O volume dos empréstimos externos é insignificante e não excede 2%”, disse.

De acordo com especialistas, o outro grande banco russo, o Sberbank (50% das suas ações pertencem ao Banco Central da Rússia), permanecerá intocado durante muito tempo. "Qualquer restrição e proibição contra esse banco envolve sanções contra 75 milhões de pessoas, clientes ativos do banco”, diz Abramov. “Nesse caso as sanções estarão dirigidas contra a população da Rússia, e não apenas contra o setor financeiro", disse.

Quem mais será pressionado pelas sanções?

Além dos bancos russos, o novo pacote de sanções americanas também afeta a Corporação Unida de Construção Naval (CUCN), um consórcio estadual que é responsável por 80% dos projetos de construção naval na Rússia, incluindo os projetos militares. O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos declarou que, de acordo com as sanções, todos os ativos da organização nos Estados Unidos serão embargados, e as pessoas físicas e jurídicas americanas não poderão manter relações comerciais com essa organização. O porta-voz da CUCN declarou à Gazeta Russa que a corporação não tem ativos nos Estados Unidos.

De acordo com o especialista em comércio do Centro PIR, Vadim Koziúlin, a indústria militar da Rússia sempre foi isolada. "No entanto, as sanções têm uma influência negativa e cortam as possibilidades de comprar tecnologias, materiais ou componentes. Não temos recursos internos suficientes para o desenvolvimento adequado da indústria militar russa", diz.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse que o governo americano decidiu introduzir novas sanções porque a Rússia não muda sua política em relação à Ucrânia e continua a apoiar os separatistas do leste.

O presidente do Instituto de Estratégia Nacional, Mikhail Rémizov, diz que agora existe uma presunção de culpa contra a Rússia que não tem ligação direta com as ações do país. "Nesta situação, é necessário tomar medidas em resposta”, diz Rémizov. “E a medida principal é o desenvolvimento da independência econômica doméstica", completa.

 

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